Get me outta here!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Despedida

Em resposta a tantas palavras eu só consigo permanecer em silêncio,
eu não consigo falar qualquer coisa que seja, até o que você não quer escutar
eu engulo minhas palavras e vai da mesma forma com minhas lágrimas,
só penso em quebrar as coisas e machucar as pessoas
e o pior de tudo é que sei que isso é um grito de socorro
para tirar de mim o que me prende à ideia de que
eu só quero ficar sozinha no escuro.
O que me diz são carícias que, por mim, são mal recebidas,
eu não entendo o que você vê aqui
que te faz persistir.
Não consigo suprir seus anseios
por nem entender o que são realmente meus desejos,
não espera por mim que eu não sei de onde eu vim,
muito menos se um dia vou poder tocar em ti
de novo.
Queria que fosse fácil, um meteoro por segundo
enquanto me desfaço, sorrio, e te trato como merece...
Só que.. você sabe, eu não sou capaz disso.
Eu já tentei ter alguém comigo e o que eu já tinha dito, eu repito:
é melhor eu ficar só, pois não sei lidar com tumor benigno.
Eu me recuo por saber da capacidade que temos pra machucar os outros,
eu penso em mudar mas nunca é tão fácil como pensar.
As reticências dão lugar aos suspiros que cê não pode escutar,
meus pontos finais são tão decididos que me assustam às vezes
principalmente quando eu não quero acabar.
Espero que siga melhor em outro lugar e que, talvez,
um dia a gente possa se encontrar, lembrar disso tudo e poder gargalhar,
mas não sei se é agora que eu consigo me libertar da minha mente que me aprisiona
e me liberta quando bem entende e não liga se eu to bem ou quero estar,
foi mal não te entender ou te escutar,
eu sou cabeça dura mesmo, mesmo preferindo ser chamada de 'resistente'
fico na espreita sempre, tendo toda certeza que não pertenço à esse lugar
eu acho que não sou gente.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Carta

Eu queria pedir pra você vir me buscar,
dizer que eu não tô conseguindo me organizar
e que eu não arrumei nada ainda
não to sabendo por onde começar:
minha cabeça ou minha vida.

Eu tô toda misturada, mãe.
eu não vejo mais diferença do que tá dentro e o que tá fora
eu não confio em ninguém
e acho que não tá certo também
só desconfiar.

Eu crio tantos sentimentos de perseguição,
pera!
eu não crio não, isso não é coisa da minha cabeça,
não existe isso né, yaisa?
E mesmo depois de tantos entendimentos
eu continuo com o mesmo sentimento.
Eu já tentei me jogar, já senti um aço gelado me cortar
é só um passo a mais e eu chegar lá.

Mãe, eu to preocupada,
eu preciso sair desse lugar.
Acho que tomei um baque da vida que não consegui prever
mas por que, né, erro meu: eu quero ter o controle de tudo!
mas por que, né?!
Todo mundo sabe que não é possível.

Eu sei que possa estar preocupada,
eu já disse que também tô,
mas acima disso eu to confiante.
Eu nunca confiei tanto em mim como agora,
nunca me escutei e respeitei como agora,
então me deixa vai,
deixa eu sentir tudo que tá aqui.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Nas frestas dos meus dias eu tento sobreviver,
entorpecendo e evitando as curvas pra não demorar chegar ao fim
eu não me esgueiro, eu não me escondo.
Talvez isso não faça bem, mas seu olhar manipulador também não faz.
Só que dessa vez é sobre mim
tudo o que eu não faço e deixo de lado
e viram pesos que eu não sei destruir.

Começo a correr de um lado pr'outro sem perceber
que eu tava seguindo cega.
Para de correr atrás das pessoas.
Você vai ficar sozinho sim, mas é melhor,
as que o laço permaneceu mesmo sem manutenção
são os que valem a pena dar devida atenção.

Todo dia eu acordo na insistência de não ser só
Mas todo dia eu vejo que não tem jeito, sou só eu e é só você.
Todas as minhas tentativas são vãs,
e elas me criam a ilusão de que tá dando tudo como eu quero
(até essa merda eu tô manipulando)
E logo eu me sinto em paz,
sei que me nego, só que sem muita dor.
Eu to ciente do que eu me proponho.

To com dificuldade de viver fora de mim,
os diálogos externos, apesar de energéticos,
tornam-se plano de fundo pra o que tá rolando mais pra dentro.
Quanto mais eu falo, mais eu me afasto,
mais eu me sinto só, longe de uma realidade que não me agrada tanto
na qual eu não me importo nem um pouco em abrir mão
e partir pras minhas teorias de conspiração.



terça-feira, 28 de novembro de 2017

Desejo

Hoje meu coração despertou mais tranquilo,
não tinha aflição, não tinha angustia, não tinha as minhas dúvidas mais recorrentes.
Hoje quando eu olhei o meu quarto em meio ao caos
eu não vi o fim de nada,
e eu acredito que isso tudo foi porque eu tive um sonho com você,
você morria e eu sorria.
Infelizmente, cê tava lá, mas olha que loucura,
cê morreu!
Eu tô acordando no meu quarto mas sem reconhecer minhas coisas,
já te disse que não sou desse planeta?
É por isso que eu não me encaixo,
não me esforço, não te agrado,
não sou gado.
Sabe as responsabilidades humanas que inventamos?
Não fazem sentido, não nos deixam sentir e não são,
realmente, importantes.
Quando eu acordei me vi de momento, me vi por dentro,
eu sorri, eu sei que não vou ficar muito tempo aqui.
Eu sorri...
sorri sozinha, sorriso sincero e tranquilo, compreensivo, emocionado,
eu to cuidando de mim, do meu jeito agressivo, enquanto eu não desperto de verdade.
Não to muito ansiosa, mas gostaria que fosse logo,
é um desejo tão simples mas tão complicado de ser executado.
Se eu pudesse, teria me tornado astronauta antes de me dar conta
que eu não queria viver desse lado.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Criar significa manipular
somos, no fundo, heterônimos de algum deus e...
de deus... só podemos falar o que ela não é.
Nós tendemos à origem, à nada
E foi no começo do Nada que nos tornamos indiscretos sobre o que pensamos.
Ficaram tão transparentes as ideias, tão visíveis
E no mesmo tempo que quero conhecer todas elas
quero me esconder no fundo de qualquer casca protetora.
Os objetivos mudaram, todos os dias eles se escondem nas anotações da minha agenda
mas minha imaginação desfoca e insiste em divagar em ideias de vida extra-terrestre.

Realmente, todos os caminhos que passei me deixaram perdida,
as discussões que criei comigo criaram um diálogo baseado no caos,
meus olhos me encaram curiosos por aquilo que digo ser,
agora eu sou algo que mal sabe ser consciente de si, mas se vê
no horizonte que existe em mim.

Nos transformamos em mundos, e meu olhar estático observa a expressão de não se expressar,
às vezes fitar o invisível é a prova do real.
Não somente nos é ofertada a visão do mundo com sua abstração,
pois não faria sentido tê-la por mera diversão,
é também a de infinitos universos paralelos e outros que se cruzam pra algum sentido
(ou sentimento)
emergir em cada momento nosso que chamamos de vida.
E as dúvidas que criamos todos os dias
que nos mantem ansiosos, acordados
são as mesmas desde sempre,
as que são difíceis reconhecer procuram aquele "salva-vidas"
é o que ajuda a energia a fluir, que estabiliza e expõe toda a vontade interna

Que proporciona o sopro da vida ou da morte,
isso depende da sua vontade.

domingo, 12 de novembro de 2017

Sorriso sem cor

Por mais que eu tenha em mente "ame quem te ama"
não consigo simplesmente fazê-lo,
porque a gente não escolhe nada que vai gostar né?!
Com você não foi diferente, minha resistência à ti é inabalável
e eu vou e volto sem ter medo de te machucar porque eu acho que você me entende
mas vou ver e não tem nada a ver, você se machuca, eu te machuco e nada parece se consertar,
Eu me arrependo e tento um recomeço mas você não me deixa sair do lugar.
nossa relação vai ser sempre essa:
a gente se amando mas se o odiando em primeiro lugar.
Esse é o nosso fado,
eu quero te ver perto, você me quer por perto,
eu não aguento sua presença na calmaria
ou a gente transa ou a gente discute.
Não é relacionamento abusivo,
a gente não briga,
a gente só discute sobre as coisas,
mas nossas opiniões são tão distantes que nem no acordo a gente se acorda.
Eu falo de amor mas nem sei se você ainda me ama,
infelizmente foi só com você que meu ciúmes escorpiano saiu da toca,
me toca, me consome e é por isso que tenho que ficar longe,
não quero te controlar (mesmo sabendo que isso não é possível)
a gente sempre iria brigar se eu tivesse do seu lado pra te sustentar.
Algumas coisas devem ser assim, arrastadas dolorosamente pela vida,
você é meu objetivo final
mas enquanto não me sinto preparada pra ele
eu treino a desenvoltura de te dar uns perdidos,
de te irritar, te criticar a personalidade e rir das suas qualidades
porque o que eu sinto quando me vem você na cabeça é
uma raiva crescente e um carinho incomparável
por alguém que eu não conheço muito bem
ou se um dia conheci, esqueci dos vícios,
mas que tá sempre aqui
e que sempre foi quem eu mais queria que me esquecesse
pra facilitar a vida, pra eu me sentir mais só
e tirar a minha existência dessa realidade.
O que eu tenho pra te dizer até agora disso tudo:
se você aguentou até aqui, desiste agora,
eu não tenho equilíbrio pra te ajudar,
se me pedir conselho se pá vou te mandar meter o loco
e me deixar pra lá.

sábado, 11 de novembro de 2017

Ideia escarrada

Quando enfim você se torna reflexo,
te personificam.
Reflexos não são aceitos, são distorcidos...
ou são nossas verdades reflexos dessas deformações?
Quando se reconhece no outro o nosso defeito,
fica mais difícil de lidar
porque tá por fora e por dentro.
Quando a gente não se olha no espelho
fica mais difícil aceitar aquilo mesmo;
É normal, mas acaba gerando desconcerto.
Não dá pra argumentar com ele,
ele te devolve você, que sabe o que é que tá fazendo
e não tá saindo direito.
Não adianta se ver e gritar seu desespero,
não adianta inventar empecilhos pra você,
que não tá se importando consigo mesmo.
Mas cada um reage,
de acordo com seu paladar,
às criaturas que deixam no seu quarto habitar.
Faça luz ou escureça,
sua imaginação diz muito ao seu respeito,
quando até na penumbra
o que se vê te causa medo.

domingo, 22 de outubro de 2017

Amanhã é 23

"Esse seu ar de tristeza alimenta a minha dor..."

Enquanto alguns dizem ser o inferno astral eu penso que eu complico a minha vida, que eu sou a atenuante do meu sofrimento, que minha tortura psicológica diária sou eu comigo mesma, me mostrando como meus privilégios e ações podem se virar contra mim em uma só pergunta. Eu fujo da realidade, dos maus olhados, dos sorrisos falsos, das felicitações mentirosas que escondem o escárnio do ser humano para com os outros, mas que é compartilhado e aceito nos silêncios e abstenções nos acontecimentos que arrebatam a felicidade pro nível da insegurança. Isso é real?
"Escreve sobre não conseguir escrever" eu dizia pra minha amiga que sentia falta da sua inspiração, hoje sou eu quem não escreve, quem não consegue se linear pra exprimir alguma coisa que possua um sentido sem necessariamente ser sentido, que sente falta da catarse, que não se sente mais auto suficiente, mas que não quer (e sabe que não precisa) de outrem para suprir as ideias estúpidas que me acometem.
Por enquanto eu só to me concentrando a não desejar mais que eu não consiga concluir o trajeto de atravessar uma rua, me concentrando em não pensar como seria com minha ausência, em não desejar ou fazer coisas à mim que eu não gostaria realmente que acontecesse e que, na minha cabeça, eu só quero estar mais próxima de mim, me conhecer como me conhecia, mas eu mudei que nem percebi, e eu ainda não sei quem eu sou e tô com preguiça de descobrir, mas até pra mim eu sou um mistério, odeio esse ar.
Eu não sabia que fazer tudo o que eu queria daria tão errado, porque meu desespero e impaciência me pregaram a maior peça que eu não pude criar (ou pior pra mim: controlar).
Esse meu ar de escorpiana sustentado pelas minhas expressões que eu também, felizmente, não controlo, não é superficial. Porque eu não curto mentir(as) e me dispor à isso não é um fetiche meu. Só que eu me deixei flutuar tanto, boiar em águas turvas e sujas sem perceber que esses rios não eram fluidos, que havia barragens e águas paradas cheias de dejetos, doenças e pessoas mortas.
Depois de tantos fluxos estranhos que me enojaram a existência o resultado é minha paralisação, minha incredulidade e falta de fé na mudança. Não é possível que estejamos em evolução, eu repito isso sempre e a cada dia faz mais sentido pra mim.
Mais um ano de existência inútil, não sei pra que sirvo nesse mundo a não ser destruí-lo. Essa deve ser a missão da humanidade, depois de colocados na Terra (muito perfeita pra ser real), logo onde o Destruição se ausentou, antes, quando no mundo o animal "racional" não tinha pisado. Mas não demorou muito e o Sonho morreu, a Desespero se mantem silenciosa dentro de cada um mesmo que acordada, x Desejx instiga ao caos, a Morte presente e incessante em cada canto fazendo o que o Destino lê sem contrariar e eu permaneço vendo deleite onde só há Delírio.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

ih!

Se eu não me apaixonei por você hoje,
nunca mais apaixono.
Se esse seu sorriso solto não me conquistou,
se eu não morri de amores por você hoje,
não morro disso.
Mas que meus olhos procuravam os seus
só pra ver um broto do teu sorriso...
ah, isso eles faziam.
Nem tinha como ignorar.
Te ver mais de perto só me fez ficar encucada:
O que é que tem nesse ser vivo
que me deixa tão baqueada?

Antes fosse atração física
ou idealização futurista,
mas só me interesso pelo riso
que mal se abre e você já trapaça...
olha pro outro lado e finge não ser o motivo da piada.

Agora já não sei mais se...
se eu não me apaixonei por você hoje,
será que nunca mais apaixono?
Se esse pensamento continuar me atazanando
ateio fogo nessa ilusão que gosto de alimentar
e, logo, eu paro com essa viagem,
dou um tempo nas noias e vou embora
pra surrealidade.

domingo, 24 de setembro de 2017

Fuga #1

São todos os meus olhares que fogem da realidade,
até mesmo os meus diários já não aguentam mais me escutar...
Tenho vontade de me tornar Delírio e esquecer do mundo como ele tá.
Não vejo a hora de sumir do real que me é vendido a todo instante,
pisar no mundo do Sonho e não voltar mais!
Eu até já acho graça nos sentimentos aflitos que,
inconscientemente, reprimimos...
Ao mesmo tempo que quero conhecer isso tudo
quero me esconder lá no fundo de qualquer coisa protetora.
E meus objetivos?
todos os dias, se escondem nas anotações da minha agenda
porque minha imaginação insiste em divagar
em ideias utópicas de vida extra-terrestre,
e a minha (extremamente-terrestre) se enerva pela falta de
mágica.
Daí, no outro dia eu já me vi imersa em mim.
Afundando e afogando em meus pensamentos
tão pobres de contentamento;
transbordando pelos olhos fixos no teto,
o corpo fixo no chão.
Só me imagino fugindo dessa maldade que se tornou nossa vida, e
eu me peço todo dia:
reinventa meu mundo
pra eu me sentir diferente por alguns
segundos

Estragado

Cansei de sacudir-te o ego,
cê não reage nem se sua vida estiver desmoronando.
Não sei o que te impede de se matar,
se nem que sua realidade vai mudar você acredita...
Me pergunto o que te move, o que te arrasta pela vida?
Por que fica assistindo aos episódios repetidos
das suas semi-ações mal pensadas,
mal formuladas, mal entendidas?
Não entendo como quer ser amado se não respeita o limite do
estrago.
Porque querendo ou não, ele existe
pra te mostrar que esse seu "foda-se" não faz tanto sentido
quando se trata de algo intrínseco.
Cê não se livra de si, mas ainda bem
que eu me livrei de ti. <3

terça-feira, 6 de junho de 2017

.


-Vamo alí?
"Vamo. Onde?"
-Não sei... você quem disse pra não definir.

In-quietude

Em meio toda essa turbulência eu tento pensar em mim.
Em você...
E depois eu volto pra mim.
Eu até tento deixar pra lá,
mas nem isso eu tô fazendo direito.
Eu sinto que a cada olhar que se fixa no meu,
minha alma é atingida.
E eu te conheci num momento tão
oportuno,

porque em meio toda essa turbulência
eu não pensava em mim.
Acabei me perdendo
e a minha consciência...
eu não sei onde tá.
Às vezes eu consigo lidar com esses meus defeitos
e outras vezes me sinto no apogeu desse lugar.

Mas em meio toda essa turbulência
eu consegui te encontrar.
Talvez mais frágil que eu,
de olhares sempre perdidos
que se fixavam em minha boca,
depois de percorrer todas as expressões
que reagiam a você.

Mesmo em meio toda essa turbulência
você permanecia aí.
Assistindo e dizendo tentar...
e essa sua persistência extrema
pra mim é defeito...
que até hoje desprezo.

E em meio toda essa turbulência
eu cansei do meu ex-ser.
Foi quando eu cortei de mim o que me continha,
tornei meus olhos dissimulados pro caminho
que as folhas já estavam secas, desgastadas
de tão...
acariciadas...
por mãos pesadas...
e sorri.


domingo, 14 de maio de 2017

Cotidiano

Não corre de mim
porque eu não tenho vontade de te perseguir.
O que eu queria mesmo era a sua companhia,
nem mais, nem menos do que isso.
Mas a gente exige um grau de intimidade
pra dividir qualquer alegria
ou até mesmo criar fantasias...
Passo a maior parte do dia
tentando me explicar pra quem eu
quero na minha vida...
Que nem sempre o meu 'oi'
é um convite pra comprar bebida, e
que eu só quero uma conversa tranquila
sobre qualquer coisa que a gente tenha dificuldade
em exteriorizar.
Não corre de mim...
porque não tem motivo,
mas se pensa que em todo meu riso
tem algo implícito,
tá errado não.
Só que se eu te conto isso
não sei se cê vai se esconder
ou me levar pra um hospício.
Mas não corre de mim...
se eu tô insistindo
é porque tô pedindo auxílio.
Não costumo invadir,
muito menos impedir
que alguém mude de caminho...
Mas todo dia eu repenso
como me explicar
e todo fim do dia eu só digo:
"desisto".

terça-feira, 9 de maio de 2017

Piedade


Eu to tão sobrecarregada com aflições alheias,
tão confusa em mim mesma,
tão insegura das coisas
e... que bad, ein?!
não tô conseguindo me aliviar...
meus olhos só se mostram cansados,
suplicando quietude,
desejando que todos os sorrisos e elogios
sejam apenas guardados com carinho bobo
de quem recebeu, gostou e agradeceu.

Que o abraço acolhedor
não seja uma carga pra arrastar,
que seja compartilhada
(e aliviada)
as angústias e lamentos da alma
que vocês adoram me expor.
Eu me disponho a isso,
eu sei.

Mas não abusa de mim
que essa falta de empatia me para,
interrompe minha vida e
irrompe minhas lágrimas sem motivo próprio.
Desculpa, mas eu não quero chorar por você,
de dores já bastam as minhas.
Se cuido de ti é porque quero te ver bem a longo prazo,
Se apoia em mim, mas não me afunda.
E toma cuidado...

Não me desgasta que eu não fui feita pra descarte.
Piedade.

domingo, 7 de maio de 2017

Nostalgia

Ah, se ele soubesse como me instiga
a sentir o meu caos natural.
Se soubesse que a sua companhia inibe
a confusão que sou sozinha.
E se soubesse que o silêncio
me é âncora,
que sua presença estabiliza o mar turbulento
que estou…
Não pede retorno do que dá à minha correnteza,
só fica descobrindo de mim
o sorriso que tanto repeti
em frente ao espelho.
Esse é seu pagamento:
me enxerga por dentro
e não me vê como um iceberg qualquer,
nem mesmo meu olhar
lhe esconde meu desamparo.
Se lhe sou mistério...
é de fácil entendimento,
e, por vezes, esses momentos
são encontros de universos incoerentes,
conscientes de si mesmos
que suscitam a ironia
de sentir empatia
mesmo sem saber nada.

sábado, 22 de abril de 2017

Ne t’inquiète pas

É o espelho que me chama
pra que eu encare de vez
qual de mim é a mais bonita…
Ele me estampa a cara à choro,
puxa meus sorrisos mais bem feitos,
me acalma
e não diz nada.
Deixa que me olhe sem propósito
assim, como quem nada sabe.
Deixa que me analise,
quem sai e quem fica,
qual eu não gosto
mas preciso.
As que eu me agrado
e as que nem tanto.
E minhas idealizações
são tão fortes que eu quase
me vejo…
Alí, sentada à frente o computador,
pernas cruzadas e
lábios secos.
Posso me ouvir pensar
como um conselho:
“Ne t’inquiète pas’
E eu peço desculpas
a quem, por azar,
teve que aguentar
meus surtos de loucura
(por puro prazer)
Mas é que eu to me vomitando
e tá difícil sair.
Eu me olhei o suficiente
pra pensar
“eu não me reconheceria na rua...”
Não me reconheceria, (não se reconheceria)
olhando de fora, todos meus gestos (… todos seus gestos)
cotidianos.
Não sei o que é ver-me (não sabe o que é ver)
sem sentir-me, (sem sentir-se)
sem aquela sensação de
você
dentro de você mesmo.
Não há prazer melhor
de se encontrar
estando sozinho.
Olha essa letra
que usas
e não reconhece
sua caligrafia.
Muda a concordância
constantemente pra ela
por estar acostumada com
a Lírica,
Mas…
Ne m’inquiète pas
Outra de mim
pede desculpas pelo
pequeno
transtorno.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Ópio

Queria tá mais presente na sua
vida...
que é pra eu poder irritar a sua alma
só com minhas palavras
pra outras pessoas...
que é pra ver sua raiva crescer a cada desvio de olhar
meu.
Não se engane
em nenhum segundo
me pergunto se te magoei
e se você tem 'lembranças'
de quando te maltratei,
avisa pra mim
que é pra eu poder
aprimorar.
Eu quero ver seu sorriso
se desfazer ao me ver.
Quero, de longe,
notar as tuas mudanças
e ser aquilo que te martiriza,
aquilo que cê não superou
mas olha pra trás
balança os braços e diz que não vou
conseguir mais ser sua amiga
já que não é isso que desejo mais
e depois de tantas andanças se pergunta
"como fui capaz..."
Infelizmente eu tenho esse problema:
Sou escorpiana e comigo é oito ou oitenta.
Tomara que doa muito
todo amor que te doei.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Balança

Me mostraram um
novo traço de felicidade
que eu admiro e desenho
seguindo o caminho que minha recordação
(defasada)
tenta recompor
do dia que o firmamento tocou o mar.
E o efeito desse encontro nu
exalou um merecido calor:
O sol que antes pertencia ao céu
de fato mergulhou ao mar.
E com aquele sorriso
tímido
a correnteza se tornou calmaria
que, em ingenuidade,
envolveu-me as viagens;
aconchegou meus cabelos entre os corais
e eu descansava...
sorrindo só e
flutuando no espaço.
E o mar, mesmo sem tanta coragem
se recusava a decidir o que lhe agradava
sentir.
E, por dentro, o sol queimava,
não lhe faltava desejos
(e mesmo imaginando a promiscuidade)
se recusava
sentir.

sábado, 1 de abril de 2017

Barquinho de papel

Estranho olhar meu reflexo e pensar
que eu não valho a pena,
que é pequeno o meu oceano
e me deixa turbulenta pensar
que cuidei tão bem de um simples
barquinho de papel
com tanto carinho mas que em nada me contribuiu.
E mesmo eu não sendo cruel
(pelo sentimento que me habita e infelizmente não se limita
e expande, expande...)
A pureza desse contato se tornou falha, mentirosa...
me deixou pensando se não era ela a
ilusória.
Acordei numa tempestade submarina
e me vi perdida em um cardume que nem vi chegar,
vi uns pedaços que eu tentava colar,
e que na realidade,
nem me pertenciam.
Vai saber porque...
Só decidi me des-envolver.
Eu sei que minhas conchas possuem o meu melhor desenho,
não saem com água e não é papel:
fraco demais pra aguentar a correnteza que força,
com certa malícia,
visitar corais;
maleável demais pra ter força própria
portanto fica sempre à deriva,
na superfície de tudo
sendo sugado e regurgitado
para que alguma coisa dele alguém salve.
Mas no final é assim que vive:
colado por compaixão das marés,
saindo ileso mas deixando a sujeira
de suas particularidades por alí.
E eu não entendo como depois disso
eu possa me sentir
inabitável.

domingo, 19 de março de 2017

Alter Ego

Na verdade a água que banha meus olhos são por minha causa.
Por não ter visto o meu valor e duvidar de mim mesma
e achar que valeria a pena
eu fantasiar-me as ideias.
Só que não...
Meus batimentos ainda chamam os teus,
cientes de que seu merecimento anda escasso,
se resolvem revoltados por terem acompanhado as notas que o seu
espalhava.
Meu sorriso é rico de boas verdades
e em meus olhos, 'ce sabe...
não falta sinceridade.
Só que não...
Meu corpo não mais se inclina ao seu,
meus lábios não querem mais os toques dos seus.
Estou apenas eu..
E eu só,
da forma que sou
só,
só penso tantas vezes se for possível perder a linha.
E eu perco, sempre
perdendo..
assistindo sua vida passar em frente a minha
e dói o mesmo tanto
(mesmo quando não percebo)
só não dá pra parar esse tempo
que parece paralelo a minha realidade.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Líquido

Eu tô há tanto tempo sozinha
que não sei se só falo comigo na cabeça
ou uso minhas cordas vocais
pra conversar comigo mesma.
Por muito tempo eu espero que os momentos passem
e eu esteja pronta pra mais tempo entorpecida.
Quem sabe pra não transparecer a mim mesma
todos os dias iguais que eu anseio que apenas existam e
passem…
Que me levem a conclusão da vida.
(não que eu não saiba que no seu livro eu vou pro inferno)
Eu tô há tanto tempo sozinha,
em meio a tanta criação de personalidade
pra suprir a ausência das outras,
que nem me reconheço mais.
Minha voz foi se subdividindo em timbres
que eu não distinguo mais a de minh'alma
e eu só vou existindo e existindo…
sempre com um “tá tudo bem”
porque eu não quero surtar, nem mesmo
incomodar o óbvio com as divagações e indignações
cotidianas:
todas as possibilidades e vontades que criei pra me atrair
a outros
parecem ter sido tão superficiais, ignoradas
e não...
naturais, como deveriam ser:
inesperado interesse em comum além de personalidade,
apenas vontade de ter outro ao lado
entre silêncios e gritos.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Sente-se e sinta-se

Vai demorar um pouco pra eu parar de visitar
seus perfis nas redes sociais,
mas logo passa.
É só eu parar de me sentir mal de uma vez.
meu amor não é tão simples…
Eu não consigo jogar todo esse peso pro ar
depois de tudo que vi
e senti.
Senti e sinto muito,
não se preocupa,
não terei medo de ver novamente…
já percebi que o que os olhos não veem
o coração sente.
Sim, até calejar vai ser assim
mas não desespera não
aqueles olhos me disseram que a culpa foi minha
que eu não sei dar atenção…
mas se preocupa não,
eu entendi o recado
é só que o mau da boa memória
é não conseguir deixar seguir a história.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Fechadura

Em mim é difícil reconhecer os sentimentos.
Eu não sei sempre o que dizer
e às vezes não fica 'tudo bem'
às vezes você precisa escutar algo
que eu não consigo entender,
mas esse é o mal de esperar que alguém
(como eu e como você)
tenha as respostas pra todos os nossos
tormentos.
Assim, quando a sua conclusão
receber o meu silêncio
não o dê tanta importância
pode ser esse intervalo
a sua resposta...
Eu não sinto a empatia do mundo
e se você diz que sente as minhas angústias
eu entendo porque acha que sinto as suas...
Mas eu não sinto.
Não sei se é motivo pra pedir desculpas
nem se esse é o momento pra tantas verdades.
não é que eu não queira que me fale,
é que eu não sei onde estão todas as chaves
e eu acho que é só isso
que você espera que eu ache.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ô, chuva!

Nado na maresia que as nuvens formam
que caem como penas
(E atingem firmes como dardos).
Levam o vento, o usam como estrada.
Agrupadas
atingem além da superfície
te tiram de casa,
fazem passear a alma e
reconhecer o cheiro da Terra
que sobe e adentra o espírito,
atordoa pensamentos negativos
e faz fluir o desejo de exprimir,
reagir e se nutrir da contemplação desse solilóquio.
À calmaria que alcança plenitude:

-Ah, me leva com você,
molha meu rosto e me dissolve em ti,
quero percorrer o ciclo infindo
e bonito que é o teu viver!

A cada gota uma realidade
um tapa… um carinho…
não sei dizer de verdade
mas sinto, a todo instante,
o desejo, não pequeno,
de ser semelhante.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Trânsito

O que você pensa mas não aplica cria um vão
E me vem recorrente o anseio de viver
no mundo que você vende,
dizendo que de dinheiro não entende,
mas eu sei que adora uma rubrica.
Nem repara a densidade da camada da vida patética,
somente se preocupa com a estética que não agrega
mas que cê desfruta e não larga mão.
Foi mal, mas é que eu já cansei de ver seu dia a dia:
Altos faróis engasgados de fumaça mas não baixam a guarda...
"e o tráfego continua constante nas marginais"
Pisa aí fora, cê cai da sacada ou na realidade?
Escolhe um dos dois já que o tempo não para...
Mas passa tão despercebido que quando se cê depara com o espelho
cê mal vê sua cara.
Se nem de si dá pra cuidar, imagina se o mundo acabar.
Mas agora nosso primeiro impulso é
afastar.
A gente acolhe depois de um tempo ou se nosso
temperamento
decidir cooperar.
Estamos em transe-to
Tá difícil diferenciar o pensamento, reinventar a ação e calibrar as emoções...
tudo ao mesmo tempo.
Só tem que tomar cuidado pra não morrer de supetão, porque né?!
Deixar tudo aqui... que sem noção:
Comprou mansão, carrão,
mas morreu sozinho na prisão dos que não veem o
irmão.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Inimigos naturais

Vamos nos aquietar e morrer?
Só esperar que a Terra pegue de volta o filho que ela nunca deveria ter gerado.
Irmão desnaturado da natureza:
Ser humano
(nunca parece saciado)
Suga da sua mãe até o ventre,
abusa de sua irmã jogando nela seus frutos podres:
lixo...
Inanimados seres terceirizados de cuidado.
Desinteressados da verdade,
vamos só observar os insensibilizados acabarem com nossa casa.
Já cansamos mesmo de pedir a atenção de quem não se importa com isso.
Tá mais preocupado consigo
porque nessa vida não se pode passar despercebido.
“Só se vive uma vez”
então tudo bem, quando não der mais pra viver a gente nem vai tá aqui mesmo.
Vamos aproveitar tudo que podemos, sugar mais e depois deixar jogado aos trapos
a pior parte de nós em evidência e a boa a gente guarda por prudência
(Vai que no céu pode ter clemência)
Mas assim… Isso não te parece abuso?
Somos naturalmente desnaturados.
O que cê quer é se sentir como deus inconsequente,
mas
eu só te vejo como aqueles adolescentes que fazem tudo de qualquer jeito
e espera o resultado perfeito.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Reflexão

Eu fico no muro do seu ser
observando a janela da sua morada:
marrom toda a sua mobília e confusa a disposição dos móveis
dentro de ti.
Vejo em seus olhos.
Sua boca, a porta da sua casa, não se abre por completa
e tento me esgueirar pela janela.
A cortina, no entanto, está bem disposta:
Evita a claridade e turva a visão do ambiente interno.
Torna-se confuso até pra mim, que jurava conhecer esses mistérios...
A janela sempre entreaberta,
a porta sempre fechada
e o ar de dentro não circula...
se acumula...
Se acumula sozinha a própria poeira do telhado não coberto...
Poeira insignificante,
detalhes que não são propriamente importantes causam alergia
e sensação de abandono.
É necessário abrir a porta, deixar circular o ar.
Daí outra vez eu tento olhar através das cortinas e
vejo um brilho prateado...
Olhando mais fundo, deve dar pra ver...
Ah é, é só o espelho.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Ponto final

Foi um amigo meu que disse
que o brilho dos meus olhos tinham mudado
que agora só via amor, que eu tinha me apaixonado.
A gente já sabia por quem e eu tinha certeza
que esse sentimento eu não tive por outro alguém,
E até ele já tinha visto e elogiado.
Eu já tava preocupada,
porque sei que assim, apaixonada,
eu não sou ninguém,
Pode doer até a alma.
E eu o perguntei se ele me aguentava
“Sim, é fácil te aguentar”
Então eu abri a barragem, inundei o que ele chama de lar
pichei meu nome no seu pensamento,
mas nem sei se funcionou,
porque de um dia pro outro
o álcool deve ter limpado
porque até beijo de outras pessoas ele compartilhou
ou talvez eu deveria ter deixado ele escrever,
talvez eu tenha me precipitado.
Eu vi aquilo de camarote
e olha, meu brilho não apagou,
só pareceu meio fosco visto atrás da fumaça.
Passei dias acordada, sentindo raiva de mim
por ter confiado assim, tão rápido…
Eu tinha dito uma vez que era melhor não descuidar
porque eu me conheço e não sei lidar
depois de me entregar e receber de volta
cartões postais da alma que visitei.
Mas sei o que sinto, me deixa quietinha,
chorei rios
pra poder voltar pro meu oceano…
Mas ele não era mais o mesmo, estava tão revoltado,
tão desestabilizado, todo pier que existia
eu tinha quebrado…
Minha vontade não era terra firme e
mesmo que não da forma que queria
encontrei as tsunamis.
Nem sabia mais pra onde ia
sem ele
porque o único cais que apareceu no horizonte
foi o dele.
Meio despedaçado, usado, rasurado…
precisando de cuidados,
e eu,
passeando por aqueles lados, gostei do desenho,
mentalizei a reforma e pus as mãos a obra.
Hoje o machucado que tá em mim se esforça pra ser curado,
mas sente que nem todo o amor que ele exala
é bem retribuído,
ele tem medo de ser aberto com adaga ou com memória
que eu bem guardo de toda minha história.
Eu queria esquecer,
mas sei que o ideal é superar…
Eu prefiro ser mal-dita
do que desistir de amar.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

S.A.U.D.A.D.E.

Sinto...
Aquilo que na minha língua é
Unica.
De tanto que faz falta sua
Alma,
De tanto que faz-se lúcida...
Escuta:
- Mãe...