Get me outta here!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ô, chuva!

Nado na maresia que as nuvens formam
que caem como penas
(E atingem firmes como dardos).
Levam o vento, o usam como estrada.
Agrupadas
atingem além da superfície
te tiram de casa,
fazem passear a alma e
reconhecer o cheiro da Terra
que sobe e adentra o espírito,
atordoa pensamentos negativos
e faz fluir o desejo de exprimir,
reagir e se nutrir da contemplação desse solilóquio.
À calmaria que alcança plenitude:

-Ah, me leva com você,
molha meu rosto e me dissolve em ti,
quero percorrer o ciclo infindo
e bonito que é o teu viver!

A cada gota uma realidade
um tapa… um carinho…
não sei dizer de verdade
mas sinto, a todo instante,
o desejo, não pequeno,
de ser semelhante.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Trânsito

O que você pensa mas não aplica cria um vão
E me vem recorrente o anseio de viver
no mundo que você vende,
dizendo que de dinheiro não entende,
mas eu sei que adora uma rubrica.
Nem repara a densidade da camada da vida patética,
somente se preocupa com a estética que não agrega
mas que cê desfruta e não larga mão.
Foi mal, mas é que eu já cansei de ver seu dia a dia:
Altos faróis engasgados de fumaça mas não baixam a guarda...
"e o tráfego continua constante nas marginais"
Pisa aí fora, cê cai da sacada ou na realidade?
Escolhe um dos dois já que o tempo não para...
Mas passa tão despercebido que quando se cê depara com o espelho
cê mal vê sua cara.
Se nem de si dá pra cuidar, imagina se o mundo acabar.
Mas agora nosso primeiro impulso é
afastar.
A gente acolhe depois de um tempo ou se nosso
temperamento
decidir cooperar.
Estamos em transe-to
Tá difícil diferenciar o pensamento, reinventar a ação e calibrar as emoções...
tudo ao mesmo tempo.
Só tem que tomar cuidado pra não morrer de supetão, porque né?!
Deixar tudo aqui... que sem noção:
Comprou mansão, carrão,
mas morreu sozinho na prisão dos que não veem o
irmão.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Inimigos naturais

Vamos nos aquietar e morrer?
Só esperar que a Terra pegue de volta o filho que ela nunca deveria ter gerado.
Irmão desnaturado da natureza:
Ser humano
(nunca parece saciado)
Suga da sua mãe até o ventre,
abusa de sua irmã jogando nela seus frutos podres:
lixo...
Inanimados seres terceirizados de cuidado.
Desinteressados da verdade,
vamos só observar os insensibilizados acabarem com nossa casa.
Já cansamos mesmo de pedir a atenção de quem não se importa com isso.
Tá mais preocupado consigo
porque nessa vida não se pode passar despercebido.
“Só se vive uma vez”
então tudo bem, quando não der mais pra viver a gente nem vai tá aqui mesmo.
Vamos aproveitar tudo que podemos, sugar mais e depois deixar jogado aos trapos
a pior parte de nós em evidência e a boa a gente guarda por prudência
(Vai que no céu pode ter clemência)
Mas assim… Isso não te parece abuso?
Somos naturalmente desnaturados.
O que cê quer é se sentir como deus inconsequente,
mas
eu só te vejo como aqueles adolescentes que fazem tudo de qualquer jeito
e espera o resultado perfeito.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Reflexão

Eu fico no muro do seu ser
observando a janela da sua morada:
marrom toda a sua mobília e confusa a disposição dos móveis
dentro de ti.
Vejo em seus olhos.
Sua boca, a porta da sua casa, não se abre por completa
e tento me esgueirar pela janela.
A cortina, no entanto, está bem disposta:
Evita a claridade e turva a visão do ambiente interno.
Torna-se confuso até pra mim, que jurava conhecer esses mistérios...
A janela sempre entreaberta,
a porta sempre fechada
e o ar de dentro não circula...
se acumula...
Se acumula sozinha a própria poeira do telhado não coberto...
Poeira insignificante,
detalhes que não são propriamente importantes causam alergia
e sensação de abandono.
É necessário abrir a porta, deixar circular o ar.
Daí outra vez eu tento olhar através das cortinas e
vejo um brilho prateado...
Olhando mais fundo, deve dar pra ver...
Ah é, é só o espelho.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Ponto final

Foi um amigo meu que disse
que o brilho dos meus olhos tinham mudado
que agora só via amor, que eu tinha me apaixonado.
A gente já sabia por quem e eu tinha certeza
que esse sentimento eu não tive por outro alguém,
E até ele já tinha visto e elogiado.
Eu já tava preocupada,
porque sei que assim, apaixonada,
eu não sou ninguém,
Pode doer até a alma.
E eu o perguntei se ele me aguentava
“Sim, é fácil te aguentar”
Então eu abri a barragem, inundei o que ele chama de lar
pichei meu nome no seu pensamento,
mas nem sei se funcionou,
porque de um dia pro outro
o álcool deve ter limpado
porque até beijo de outras pessoas ele compartilhou
ou talvez eu deveria ter deixado ele escrever,
talvez eu tenha me precipitado.
Eu vi aquilo de camarote
e olha, meu brilho não apagou,
só pareceu meio fosco visto atrás da fumaça.
Passei dias acordada, sentindo raiva de mim
por ter confiado assim, tão rápido…
Eu tinha dito uma vez que era melhor não descuidar
porque eu me conheço e não sei lidar
depois de me entregar e receber de volta
cartões postais da alma que visitei.
Mas sei o que sinto, me deixa quietinha,
chorei rios
pra poder voltar pro meu oceano…
Mas ele não era mais o mesmo, estava tão revoltado,
tão desestabilizado, todo pier que existia
eu tinha quebrado…
Minha vontade não era terra firme e
mesmo que não da forma que queria
encontrei as tsunamis.
Nem sabia mais pra onde ia
sem ele
porque o único cais que apareceu no horizonte
foi o dele.
Meio despedaçado, usado, rasurado…
precisando de cuidados,
e eu,
passeando por aqueles lados, gostei do desenho,
mentalizei a reforma e pus as mãos a obra.
Hoje o machucado que tá em mim se esforça pra ser curado,
mas sente que nem todo o amor que ele exala
é bem retribuído,
ele tem medo de ser aberto com adaga ou com memória
que eu bem guardo de toda minha história.
Eu queria esquecer,
mas sei que o ideal é superar…
Eu prefiro ser mal-dita
do que desistir de amar.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

S.A.U.D.A.D.E.

Sinto...
Aquilo que na minha língua é
Unica.
De tanto que faz falta sua
Alma,
De tanto que faz-se lúcida...
Escuta:
- Mãe...