Get me outta here!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Monólogo

A gente se pergunta se tá tudo bem com a gente de vez em quando né?! Ou, pelo menos, deveria acontecer… E quando acontece e a gente vê que ‘tudo bem com a gente’ é muita coisa e que quando o tudo que é externo começa a influenciar o interno, se perde a noção do limite de tudo.
É difícil iniciar uma conversa com alguém (que a gente conhece !!!) sobre um assunto que não seja pessoal, que não seja individual…
Quando te perguntam: e os namoradinhos?
A gente tem vontade de morrer.. falo da gente aqui: “acadêmicos” já que pra eles a realidade é outra e querendo ou não, a gente abre os horizontes, conhece de sotaques até ingênuos detalhes, estes que deixam a gente puta da vida, esses detalhes que representam anos de colonização portuguesa, norte-americana… e por que não, burguesa?
E eu, cansada, sufocada desse moralismo acadêmico, desses movimentos sociais que menos se importam com as pessoas.. deveria se chamar “Movimentos de sistemas sociais” porque pra chegar na galera e explicar o que acontece no seu mundo a galera não quer colar… (Movimentos galera, não pessoas. “mas o movimento não se faz sem pessoas” - nem todo mundo representa fielmente uma ideologia, cristãos são provas disso)
Mano, a gente tá cansado de só falar, de ir pra rua e ver a galera arregar… de receber bomba na cara e ninguém se importar, porque pra que eu vou fazer né? Se meu saldo bancário vai continuar lá?!
Cara, que mundo a gente tá vivendo? Não tem o mínimo de senso de coletividade, querem ver quem brada mais alto nesse solo retumbante não tão fértil de filhos da pátria amada, MÃE gentil.
Começa daí, de onde cê vive. Dentro de ti. Se não dá pra mudar o outro, muda cê mesmo, que cê mudando realmente muda o mundo. Muda seu resultado, sua resposta pra dúvida “infantil” do outro, se cala mesmo pra evitar briga, porque se a gente quer juntar, a gente tem que explicar… Mas desiste mesmo se não quiserem te escutar, porque falar todo mundo quer, o rolê é escutar.
E eu me pergunto onde conseguiram entrar em mim, na minha cabeça… porque até uns dias atrás eu estava bem. Quem me desestabilizou e disse que era tudo mentira? Porque hoje eu acredito que é tudo mentira… os discursos das pessoas, o modo com que elas agem e (talvez) o pior de tudo.. seus sentimentos. Óbvio que existem exceções, mas elas estão escarças na minha vida.
E nem sua família é sua base. Porque quando você concordava com eles sem questionar pelo bem do “costume” e respeito a “opinião” deles, cê era a estrela, cê era A estudante, a pessoa que iria “ganhar” na vida… “olha ela fazendo faculdade, a terceira pessoa a se formar na família”
Mas quem é que quer ganhar não sou eu… Minha irmã diz pra eu fazer um artesanato diferente, pra não ter concorrente. Sorte minha ter escutado uma música que me disse que “a vitória também se constrói no empate”…
Cê sente até medo de querer abraçar sua mãe e ela te negar, te dizer que tá ocupada e cê só quer ficar ali, no colo dela olhando pro céu, igual cê fazia no quintal daquela casa alugada horrorosa, mas que servia de abrigo pra um consolo.
E isso tudo só te faz ver o quão privilegiado cê é, que seu sucesso foi realmente montado em cima dos outros, cê se liga que nem quando vai dormir cê descansa. O travesseiro de algodão é mais confortável que pedra e seu colchão não é tão duro quanto o chão, claro que não, olha a galera que seu povo jogou aí pra amortecer a ‘queda’…
Daí cê só pensa na praia, que descarrego que faz né?!
Aquele mar que parece que tem espaço pra todo mundo...
Isso tudo me lembrou que eu queria mesmo era ter nascido peixe.
Peixe porque ia ter espaço demais pra mim e pros outros e se eu fosse comida por um peixe maior não seria “errado”, seria a natureza… Não teria nenhum peixe criando normas e leis que reprimissem minha espécie. Não teria nenhuma espécie dizendo que seu deus Poseidon é o verdadeiro e que Netuno é uma farsa. (rs)
E cê não pode nem chorar na frente dos outros por isso, porque é sempre por causa do outro que a gente chora né?! Mas e se se for por você, cê não pode ficar triste por você né?! Não pode ficar triste pela sua realidade, pelos seus privilégios, porque isso tudo é mentira, você não fica triste por isso né?! Ninguém tem essa capacidade… sei lá, pode ser, mas também pode não ser.
Daí de novo cê foge pra praia, corre pra molhar os pés, implorando que a água te leve de uma vez, te deixe leve, te sustente sem que você precise subjugar o outro e entra de tudo, se deixa levar e enquanto cê boia na água é ali que cê tá leve, cê tá no céu do mar, olha que beleza! E não tá atrapalhando ninguém, tá só ali, de boa, sentindo o balanço do mar, vivendo como qualquer outra pessoa que não sabe do que os acadêmicos sabem e tem responsabilidade MORAL e social de passar pra você… Mas cê nem tá ligando, só quer boiar, inocente dos perigos e com os sentimentos verdadeiros intactos, quer que todo mundo boie também.
Cara… como eu queria ser um peixe, cê não tem noção
Por que eu não nasci peixe?
Por que eu não nasci planta?
Por que eu nasci humana?
Por que eu nasci … ?
E antes de ser uma conclusão, essa frase era uma sugestão.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Paradoxo

Talvez a mentira
(a que nos contamos e não aos outros)
seja o primeiro passo pra uma verdade
(mesmo que em sua primitividade superficial).
Quando nos dizemos o que (não) sentimos
criamos em nós a possibilidade de o tornar real.
Se a comida não nos agradou mas foi feita com amor
nos esforçamos para comer e dar uma resposta positiva.
Sentimos coisas e nos negamos a aceitar
seja por insegurança ou desconfiança,
mas sempre tá ali
alguma coisa que não é esperança.
A gente não se cansa de atualizar
pra ver se pelo menos um 'oi' alguém vai mandar,
numa vontade enorme de ter um amigo pra contar,
mas uma insegurança (?) enorme pra desabafar.
Desculpem as rimas pobres,
é que a imaginação não tá boa,
só rende preocupação e ,às vezes,
uma neurose à toa.
A gente implora por uma amizade,
luta por confiança,
mas acha tudo em vão
já que a pessoa não sabe como você tá
só de olhar.
A gente não fala, é tão mais fácil demonstrar!
Falar requer muita força
e eu mal tenho pra me maquiar...
Dizer que o bem vem de dentro e basta se amar...
Mas a cada palavra me desfalo,
entro em paradoxos
me enrolo e já disfarço.
E no final
minha conclusão se esvai,
como toda minha verdade inventada,
e eu já vi que mentir pra si mesmo...
Realmente não leva a nada.

Camaleônico

Só pras horas tristes tá presente
quando eu tento compartilhar minhas felicidades
o vácuo é o resultante.
Quando eu nem tinha percebido
foi ele quem disse que o brilho dos meus olhos tinha mudado
que ele só via amor e que eu tinha me apaixonado.
Eu nem esperava por isso,
mas ele é cheio de surpresas como é feito de brilho…
Ele consegue puxar a atenção de tudo pra si,
mesmo que não faça sentido,
ele tá ali.
E eu tentei ser da mesma forma que ele é pra mim,
presente nos momentos ruins e livre pra se divertir.
Eu demorei muito pra escrever sobre ele,
mas é que eu tentava deixar perfeito,
tinha que ter todo o amor
(e a impaciência)
que por ele eu guardo no peito.
Eu o vi chorar, gritar, espernear, implorar
pro seu mundo não desmanchar…
eu vi ele caindo mas sorrindo,
sua cabeça se erguendo e seu caráter reconstruindo,
tudo isso de fora, nunca me permiti entrar,
mesmo que ele me desse licença, não conseguia acreditar….
No seu tombo os julgamentos foram tremendos,
é que sempre tem gente que acha que só ela é capaz
de reformar um conceito e voltar atrás,
pedir desculpas sinceras e recomeçar em paz.
Mas ele não se importou, ele bem sabe o que faz
se descobriu de novo, se adaptou a si mesmo,
tomou novamente a rédea de suas emoções e foi em frente
aos tropeços, claro, porque se não desse algo errado
não foi ele quem fez.
Só tenho a agradecer a quem só me viu sofrer e sendo uma base importante
me fez e se fez florescer,
flor cor de rosa que poliniza purpurina,
obrigada por ser assim
quero-lhe irritante pra toda vida.

Futuro, volver!

Se a gente for tentar visualizar tudo que nos implica
a verdade é só mais uma mentira.
imagina!
tem coisa na vida que não dá pra negar,
mas se a gente for bom
consegue mascarar.
Olha todo esse rodeio:
nós somos os bois
e eles nos chicoteiam…
se fossem só palavras
certeza que a gente revidava,
porém são os direitos
que são atingidos a punhaladas…
Enquanto pensamos que a democracia jaz enterrada
temos esperanças de que esteja apenas encarcerada
algemada, torturada,
e esperamos que dure por menos de 21 anos...
e a gente ainda não sofreu quase nada.
Mas tá tudo bem,
tem uma galera aí que é revolucionária,
se liga que já, já o golpe acaba.
Mas aí, tá em câmera lenta essa desgraça?
Desgraça sim, isso que vai se tornar!
será que o caminho da adaga
na base da nossa garganta
vai ficar entalado?
Porque o nosso grito tá sufocado,
nossa luta tá disfarçada…
Enfeitada de verde-amarelo em cada sacada,
e o barulho que a gente faz
nem a gente consegue escutar mais.
Porque é isso que virou:
barulho
e não som uníssono da multidão
a gritar: “Golpistas não passarão”…
Mas tá passando, tá passando
a novela do “Grande Sertão”.
Eles tem armas embaladas e disfarçadas de proteção,
debaixo da árvore seu próximo presente de natal:
Coerção!
Mas tá tudo bem, vai passar.
Achei um lugar pra gente morar,
na verdade, se abrigar:
porão do Bernardão.
A gente não atrapalha ninguém de lá
só ajuda a montar um circo
pra depois a reitora dizer:
“Foi pacífico… (ameaçar)”
Sempre é passivo agressivo seu linguajar,
só tem que tomar cuidado que aqui também tem gente que sabe falar,
o problema é a galera escutar e realmente raciocinar.
o que nos impede é Temer demais
essas bombas de gás
essa violência que a gente reproduz
quando não sabe dialogar…
É nossa primeira vez nessa tal revolução,
já que os que são veteranos
sofrem sequelas de tanta porrada.
Não tem caminho pra passar,
a gente vai ter que abrir espaço em outro lugar.
Usamos a tática de luta urbana:
massacrar os bancos, os carros,
esses que são usados pra nos derrubar.
Um carro de emissora não vai faltar,
afinal, a primeira página tem que continuar…
continuar com o sensacional mundo das estrelas,
cadê Ivete que não grita as estribeiras de onde veio
fora do show, fora de lá...
não são ninguém,
ou você já viu algum deles ajudar a FEBEM?
O que nos salva é isso:
as obras de Salvador Dalí
e um pouco de consciência que ninguém merece isso aqui.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Deleite o café

Eu já sei qual cê é
e se pá é o café...
Sem açúcar, porque é como eu prefiro.
Te sinto até ferver sob a pele;
E eu, sendo leite,
Só espero cê me aquecer...
Pra ter aquele choque térmico,
sensação de vida,
e me dá certeza do sabor que transfiro.
Não sei se te enfraqueço o gosto
ou se cê me fortalece o corpo...

Enérgico e de amargura adocicada,
falo mais de ti pra que não me invada
já que leite,
(pra mim... sozin...)
é mais sem graça.

Não se estressa com o que te desfiro
são só palavras de carinho escondido.
O que tenho pra oferecer
pra esse sabor que cê tem
sai de MG pra além,
vai pra SP
e não volta sem ti
pra que deleite o café
e se deite comigo.

sábado, 17 de dezembro de 2016

De olhares perdidos já bastam os nossos

Até ela parece já ter desistido da humanidade. Seus olhos nem fitam mais as mãos que fazem estalos sobre a sua cabeça ou as que lhe toca.
Sua calda balança tristemente mas seus olhos permanecem fitando o chão sem a esperança de ser realmente amparada. Vê-se sua testa franzida e o brilho apagado de seus olhos implorando o calor fiel de outros.
Já aprendeu a ser sozinha, a ser enxotada com aperto no coração dos que o fazem... Só porque não sabem o que fazer, a casa não cabe, é só apartamento... O lugar ocupado por outro: um bichinho menor, mais independente...
E quem, no mundo, é independente?
Já se acostumou a se alimentar da dó da outra espécie, a ser "amada" de longe, a sentir calor só quando o sol aparece, a brincar de ser feliz por 5 segundos enquanto alguém lhe acaricia a barriga pra ver a patinha mexer.
Entretenimento gratuito domesticado pelo e para o ser humano...
Mas agora é tão comum que o que fazemos é só escrever nosso aperto no peito, já que o aperto de onde moramos, mal cabe um peixe.
Estamos sempre ocupados e amontoados um acima do outro... favela organizada por blocos e quintal compartilhado com carros.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Se essa rua fosse minha

Se essa rua fosse minha...
Eu ia fazendo uns atalhos, porque só essa já não me cabe...
E tô fazendo nessa rua uma rota alternativa pra saber o que as paralelas me oferecem,
quero intervir nas lutas, me informar, produzir, sentir alguma coisa que vá além
e provoque na sua rua motivos pra deixar de seguir esse caminho traçado.
Ir ou não: a opção é sua.
Feliz ou infeliz,
é muito útil pra aqueles que não querem ver outros caminhos proliferando, desviando, saindo do controle...
mas se não tá te suportando, não perca noites de sono se perguntando o que vai ser do seu futuro
ou fumando maconha o dia inteiro,
assuma que seu futuro é agora e aja!
Vá para as avenidas, pras marginais,
se mescle com as luzes das outras pessoas e saia pra rua.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

E ai, Beleza (?)

Tenho a impressão de que só pinto a beleza
(até mesmo da tristeza)
e me falta lamento pra imprimir noutro canto
a dor se escancarando.
Se eu fosse infeliz...
Acharia que nessa história de sentir o bem
só basta a quem
bem pode dormir,
Se eu fosse infeliz,
escreveria livros de auto ajuda que iriam além do meu sustento.
Dispenso novamente a razão pra não irritar o coração
e só (re)penso a situação se se desfazer o teatro.
Nessa peça que eu seria o personagem
que sou sempre Eu
e jamais alguém.
(Talvez falte o nós,
mas não vale o vintém)
Aí surgiria o papo da empatia
Que não é emprestar sentimento,
nem apropriar a vivência...
tá mais pra delicadeza
que a gente diz "tenho, com certeza!"
o respeito pela vida
que bem cabe em poesia,
mas...
Depois de algum tempo a beleza se desfaz
e é só por pensar um pouco mais,
explorar a realidade que bate na porta e diz que
"já tá na hora..."

domingo, 4 de dezembro de 2016

Bonito é você

Bonito é aquele rosto marcado,
sem remorso,
por ter se expressado.

Bonito mesmo é o sorriso
de qualquer rosto
que cause rebuliço.

E aquelas marcas na testa:
expressão de preocupação,
ou talvez de surpresa,

que nos fez sentir sem precaução
aquilo que já negamos à razão
que é amar sem julgamento
aqueles que estão em tormento.