Get me outta here!

domingo, 22 de outubro de 2017

Amanhã é 23

"Esse seu ar de tristeza alimenta a minha dor..."

Enquanto alguns dizem ser o inferno astral eu penso que eu complico a minha vida, que eu sou a atenuante do meu sofrimento, que minha tortura psicológica diária sou eu comigo mesma, me mostrando como meus privilégios e ações podem se virar contra mim em uma só pergunta. Eu fujo da realidade, dos maus olhados, dos sorrisos falsos, das felicitações mentirosas que escondem o escárnio do ser humano para com os outros, mas que é compartilhado e aceito nos silêncios e abstenções nos acontecimentos que arrebatam a felicidade pro nível da insegurança. Isso é real?
"Escreve sobre não conseguir escrever" eu dizia pra minha amiga que sentia falta da sua inspiração, hoje sou eu quem não escreve, quem não consegue se linear pra exprimir alguma coisa que possua um sentido sem necessariamente ser sentido, que sente falta da catarse, que não se sente mais auto suficiente, mas que não quer (e sabe que não precisa) de outrem para suprir as ideias estúpidas que me acometem.
Por enquanto eu só to me concentrando a não desejar mais que eu não consiga concluir o trajeto de atravessar uma rua, me concentrando em não pensar como seria com minha ausência, em não desejar ou fazer coisas à mim que eu não gostaria realmente que acontecesse e que, na minha cabeça, eu só quero estar mais próxima de mim, me conhecer como me conhecia, mas eu mudei que nem percebi, e eu ainda não sei quem eu sou e tô com preguiça de descobrir, mas até pra mim eu sou um mistério, odeio esse ar.
Eu não sabia que fazer tudo o que eu queria daria tão errado, porque meu desespero e impaciência me pregaram a maior peça que eu não pude criar (ou pior pra mim: controlar).
Esse meu ar de escorpiana sustentado pelas minhas expressões que eu também, felizmente, não controlo, não é superficial. Porque eu não curto mentir(as) e me dispor à isso não é um fetiche meu. Só que eu me deixei flutuar tanto, boiar em águas turvas e sujas sem perceber que esses rios não eram fluidos, que havia barragens e águas paradas cheias de dejetos, doenças e pessoas mortas.
Depois de tantos fluxos estranhos que me enojaram a existência o resultado é minha paralisação, minha incredulidade e falta de fé na mudança. Não é possível que estejamos em evolução, eu repito isso sempre e a cada dia faz mais sentido pra mim.
Mais um ano de existência inútil, não sei pra que sirvo nesse mundo a não ser destruí-lo. Essa deve ser a missão da humanidade, depois de colocados na Terra (muito perfeita pra ser real), logo onde o Destruição se ausentou, antes, quando no mundo o animal "racional" não tinha pisado. Mas não demorou muito e o Sonho morreu, a Desespero se mantem silenciosa dentro de cada um mesmo que acordada, x Desejx instiga ao caos, a Morte presente e incessante em cada canto fazendo o que o Destino lê sem contrariar e eu permaneço vendo deleite onde só há Delírio.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

ih!

Se eu não me apaixonei por você hoje,
nunca mais apaixono.
Se esse seu sorriso solto não me conquistou,
se eu não morri de amores por você hoje,
não morro disso.
Mas que meus olhos procuravam os seus
só pra ver um broto do teu sorriso...
ah, isso eles faziam.
Nem tinha como ignorar.
Te ver mais de perto só me fez ficar encucada:
O que é que tem nesse ser vivo
que me deixa tão baqueada?

Antes fosse atração física
ou idealização futurista,
mas só me interesso pelo riso
que mal se abre e você já trapaça...
olha pro outro lado e finge não ser o motivo da piada.

Agora já não sei mais se...
se eu não me apaixonei por você hoje,
será que nunca mais apaixono?
Se esse pensamento continuar me atazanando
ateio fogo nessa ilusão que gosto de alimentar
e, logo, eu paro com essa viagem,
dou um tempo nas noias e vou embora
pra surrealidade.