Eu tô há tanto tempo sozinha
que não sei se só falo comigo na cabeça
ou uso minhas cordas vocais
pra conversar comigo mesma.
Por muito tempo eu espero que os momentos passem
e eu esteja pronta pra mais tempo entorpecida.
Quem sabe pra não transparecer a mim mesma
todos os dias iguais que eu anseio que apenas existam e
passem…
Que me levem a conclusão da vida.
(não que eu não saiba que no seu livro eu vou pro inferno)
Eu tô há tanto tempo sozinha,
em meio a tanta criação de personalidade
pra suprir a ausência das outras,
que nem me reconheço mais.
Minha voz foi se subdividindo em timbres
que eu não distinguo mais a de minh'alma
e eu só vou existindo e existindo…
sempre com um “tá tudo bem”
porque eu não quero surtar, nem mesmo
incomodar o óbvio com as divagações e indignações
cotidianas:
todas as possibilidades e vontades que criei pra me atrair
a outros
parecem ter sido tão superficiais, ignoradas
e não...
naturais, como deveriam ser:
inesperado interesse em comum além de personalidade,
apenas vontade de ter outro ao lado
entre silêncios e gritos.
quinta-feira, 16 de março de 2017
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