Get me outta here!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Líquido

Eu tô há tanto tempo sozinha
que não sei se só falo comigo na cabeça
ou uso minhas cordas vocais
pra conversar comigo mesma.
Por muito tempo eu espero que os momentos passem
e eu esteja pronta pra mais tempo entorpecida.
Quem sabe pra não transparecer a mim mesma
todos os dias iguais que eu anseio que apenas existam e
passem…
Que me levem a conclusão da vida.
(não que eu não saiba que no seu livro eu vou pro inferno)
Eu tô há tanto tempo sozinha,
em meio a tanta criação de personalidade
pra suprir a ausência das outras,
que nem me reconheço mais.
Minha voz foi se subdividindo em timbres
que eu não distinguo mais a de minh'alma
e eu só vou existindo e existindo…
sempre com um “tá tudo bem”
porque eu não quero surtar, nem mesmo
incomodar o óbvio com as divagações e indignações
cotidianas:
todas as possibilidades e vontades que criei pra me atrair
a outros
parecem ter sido tão superficiais, ignoradas
e não...
naturais, como deveriam ser:
inesperado interesse em comum além de personalidade,
apenas vontade de ter outro ao lado
entre silêncios e gritos.

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