Get me outta here!

domingo, 26 de agosto de 2018

Eu me lembro bem do episódio que eu criei:
não era mais tão relutante como eu sou
e te aceitava de bom grado como não faço.
Meu ser estava cansado mas se sentia em casa,
não tinha nada físico, mas era nossa cara,
no entanto, eu não entendia o pedaço
que me equilibrava.
Eu estava deitada, sofrendo como todo dia,
o peso das caminhadas...
você tava ali, no fim da cama, aproximando-se como sempre,
devagar e lentamente
como se não fosse pra assustar ou alimentar meus ódios.
Aí cê decidiu me acariciar,
começou pelos pés, melhor lugar!
Não deixei cê demorar, vai ver as minhas explosões
tomaram o controle da situação,
uma das minhas pernas descansou no seu ombro
pressionando o calcanhar,
sua face foi sorrindo sem hesitações,
baixando o olhar.
Suas mãos foram subindo passeando sem pressa,
firmes e gentis encontraram onde ficar.
Seus olhos fixavam os meus,
sua boca passeava e se lambuzava com o sabor da minha fruta,
eu mordia os lábios e sorria de lado,
fechava a pupila pra sentir melhor sua língua,
meus dedos entre os seus cabelos
e os seus que metiam-se em mim sem timidez.
Eu sentia minha respiração aumentar,
minhas pernas tremiam
mas você se mantinha,
minha mão puxou uma última vez seus cabelos
e eu me senti transbordar.
Você sorriu pra mim um último sorriso,
nos encaramos e você desapareceu.
Era só eu, comigo mesma, pensando no dia de te encontrar.

domingo, 19 de agosto de 2018

01:22

Hoje eu pensei em te escrever de novo,
na imensidão de confusões que uma tela em branco
sugere: o início e fim de um sentimento passageiro
que pode ser de pensar n'ocê.
Vem como acalento, nina e sempre parece ter um mistério
mas de alguma forma me repele a ideia de ficar do seu lado
parece que eu vou me entregar e eu tenho medo de não me proteger
eu sinto que não te conheço mas de alguma forma cê sempre ta lá,
não vejo como criar confiança em alguém que eu hesito em deixar ficar.
Até minhas formas cê conhece, mas não é um até de "tudo isso",
é de até ali que eu te deixo me observar,
não tem muito jeito, eu nunca consegui mesmo controlar minhas expressões
pro mundo.
Eu acredito também que se tem resistência, alguma coisa de errada tem,
não é possível que me irrite tão de graça, mas são tantas nebulizações,
tanta névoa nas minhas memórias, minha cabeça excluiu coisas que eu escolhi apagar.
Mas permanece ali uma vontade de que sua vida dê certo,
longe de mim,
mas que me mande um oi de vez em quando
não me adéquo em ser deixada pra trás, mas não dá pra não me sentir culpada
as vezes por ser bem tratada e destratar,
eu já tentei parar de ser assim, mas cê sabe, é o fardo de ser sempre mal-interpretada
ou mal interpretar-me no mundo,
nesse que a gente não pertence mas tenta se encaixar,
um dia, se pá, eu já vou ter sumido daqui,
a gente vai se encontrar e eu vou tá preparada pra me perder.