Get me outta here!

sábado, 22 de abril de 2017

Ne t’inquiète pas

É o espelho que me chama
pra que eu encare de vez
qual de mim é a mais bonita…
Ele me estampa a cara à choro,
puxa meus sorrisos mais bem feitos,
me acalma
e não diz nada.
Deixa que me olhe sem propósito
assim, como quem nada sabe.
Deixa que me analise,
quem sai e quem fica,
qual eu não gosto
mas preciso.
As que eu me agrado
e as que nem tanto.
E minhas idealizações
são tão fortes que eu quase
me vejo…
Alí, sentada à frente o computador,
pernas cruzadas e
lábios secos.
Posso me ouvir pensar
como um conselho:
“Ne t’inquiète pas’
E eu peço desculpas
a quem, por azar,
teve que aguentar
meus surtos de loucura
(por puro prazer)
Mas é que eu to me vomitando
e tá difícil sair.
Eu me olhei o suficiente
pra pensar
“eu não me reconheceria na rua...”
Não me reconheceria, (não se reconheceria)
olhando de fora, todos meus gestos (… todos seus gestos)
cotidianos.
Não sei o que é ver-me (não sabe o que é ver)
sem sentir-me, (sem sentir-se)
sem aquela sensação de
você
dentro de você mesmo.
Não há prazer melhor
de se encontrar
estando sozinho.
Olha essa letra
que usas
e não reconhece
sua caligrafia.
Muda a concordância
constantemente pra ela
por estar acostumada com
a Lírica,
Mas…
Ne m’inquiète pas
Outra de mim
pede desculpas pelo
pequeno
transtorno.

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