Get me outta here!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Desabafo da madrugada #1

Eu me sinto tão mal e eu nem sei pq me sinto assim, procuro dentro de mim
mas não obtenho resposta,
eu me sinto mal por não conseguir dormir sem me drogar, por ficar ansiosa pelos problemas do dia seguinte,
por não ser tão corajosa como eu imaginava, por não largar essa vida que não me contempla e que eu mantenho por medo do incerto,
mas pisar sozinha num piso em falso ou no escuro não é tão incomum pra mim que acredito na minha sorte,
eu me sinto tão mal por precisar de ajuda e não procurar, me sinto tão mal...
e é só isso, outro dia eu resolvo, se pá, até meto o loco, mas enquanto esse dia não chegar,
eu fico só me sentindo mal, aceitando o que a vida me dá, me tira, me empresta e às vezes me presenteia...
Me sinto mal por sempre pensar que incomodo meus amigos e que eles nem devem me achar tão legal assim, me sinto mal quando falo demais, quando falo alto demais, quando gargalho demais e quando faço tudo isso de menos também,
tá foda viver assim, me sinto mal por agir como ajo, por saber disso tudo e não melhorar um pouco,
talvez meu inconsciente queira me afundar no meu corpo, me sugar, me transformar num outro corpo,
outra pessoa que não sinta tanto tudo com tanta intensidade, que não chegue no fundo do poço a cada impasse,
às vezes seria melhor não ter nascido pra poupar minha mãe de tanto pessimismo.
Quem me vê já sabe que sou impaciente e que meus pensamentos não são tão positivos, melhorou bastante mas ainda assim me enlaçam, entrelaçam com minha distração e tá pronta a minha corrosão interna.
Eu só queria ser outra coisa, algo mais desligado do mundo... talvez um peixe, mas nada mais consegue se desvincular da humanidade,
tomamos tudo e eu não queria participar disso, talvez o 22 faça sentido, só tem gente doida e viver nesse mundo tá um perigo.

domingo, 11 de novembro de 2018

Certezas absurdas

Eu me pergunto constantemente porque eu
não consigo ir embora...
Essa característica de ser fixa às vezes
me revolta.
Espero acordar um dia decidida
e não mais o meu de sempre
"que que eu faço agora?"
As decisões eu tomo, mas não levanto,
parece que não me disponho,
estranho...
Mas eu sempre me deixo pra depois
quando nunca chega o amanhã,
até porque só existe isso nos nossos planos
mentais,
ou seja, eu me preocupo comigo mas
deixo todas as minhas demandas
à margem.
A vida não deveria me levar,
às vezes me irrita não poder controlar.
Te irrita também não sair do lugar e,
às vezes, nem é culpa sua, foi
só necessidade momentânea,
mas agora... agora tá difícil acordar,
tá difícil planejar... minto!
O mais difícil é recomeçar com a vida
já incompleta num outro lugar...
Ai, que sina! odeio começar e não
finalizar...
Vai ver isso que me barra, eu espero acabar
quando sou eu quem tem que botar
o ponto final.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Por enquanto

Na cidade grande eu vi um picho que me lembrou você
me fez lembrar de tudo juntos e apertou o peito saber que só vou compartilhar essas lembranças
por enquanto.
Já fiquei com raiva, chateada e tiltada com você,
mas no final da noite eu sempre queria tá fumando um contigo,
olhando, da sacada, as casas amontoadas no horizonte mineiro,
eu já sinto sua falta,
por enquanto.
E na hora que eu vi o picho eu pensei
que talvez você gostasse de tá ali, mas deixei pra lá,
é uma cidade muito confusa pra quem tá confuso por dentro também.
Não é arte de despedida,
é arte de saudade antecipada,
sentimento premeditado quando cê disse que ia embora,
e mesmo sabendo disso tudo
as incertezas me perseguem e você lida muito bem com elas.
Fico esperando uma delas decidir visitar meu caminho sem data marcada,
sua companhia era fogo, e agora só me sinto brasa.
A de final de rolê, na espera da próxima noite que vai ser reacesa.
Não sei o que cê quer, nem o que eu quero,
mas de vez em quando vamo ficar mal junto, se cuidar,
tacar o fodac e lembrar no outro dia que
in-felizmente a vida ainda não acabou.
Faz dar certo.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Não tenho cartão de entrada

Às vezes eu penso ser tão profunda,
me enganando a cada passo em direção ao abismo que tem em mim,
e às vezes sou só isso aqui,
aquele mar raso, que cê caminha até o meio
e a água não passa do joelho.
Eu não sei onde tá o fim,
nem quando a água começa a ser relevante pra alguém,
até porque eu nunca gostei muito de ser chamada de "meu bem",
mas as vezes acho que to errada,
e essa poça que eu acredito esbanjar
oceano
é só mais uma etapa pra entrar no mar.
Depois de um tempo boiando percebi que não sou levada a nenhum lugar
se eu não botar os pés no chão e caminhar,
e nem é tanto esforço assim cuidar de mim...
Às vezes eu acho que deveria conhecer as pessoas melhor
e talvez deixar com que elas me conheçam também,
acalmar as ondas que quebram na chegada
e ser mais fluida, aconchegando até o ardor dos olhos.
Nunca disse que era doce,
mas sempre parece que sou mais amarga...
Não sei se pela dificuldade de entrada
ou pela resistência de manter-se na caminhada,
são tantos que desistem.
Não tô lamentando, tô só observando que talvez seja eu a errada.
Já percebeu?
Sou mal educada e não importa sua cara,
todas minhas frases parecem profanadas,
às vezes a sinceridade dá uma facada,
e eu fico triste, né?!
Às vezes tenho tanto medo de mim que não deixo qualquer pessoa fazer um carin...
vai ver nasci assim.
E aquela pocinha antes do mar, que tem tanta concha, tanta estrela e vidas pequenas,
é sempre a que cês procuram quando precisam se enfeitar,
pegam umas conchas, jogam umas algas sobre os ombros,
levam um pedaço dali, não ligam pros escombros...
saibam que esse é meu cartão de visita:
se o horizonte é muito longe e a vista não alcança,
melhor ficar no raso, no lugar de criança.

Dia 1

Era algum sonho mal esquecido que eu custava a manter na cabeça, no sentido de deixá-lo lá e insistentemente consultar a realidade sobre suas características, seu sentido e... qual mensagem ele queria me dar? Tava no gramado, tão noiada quanto um coelho atrasado roendo a cenoura, olha todo tempo seu relógio, correndo à toa e nunca sabendo onde tá.
Eu olhei a hora: 15h21, "risos" pensei, levantei, caindo num túnel que me doía os olhos. Parei de olhar pro céu. Fui atravessar a rua pensando "não olha não" e pensei: 15h22. Outra vez "tá na hora, atravessa" outra vez "agora não".Como o coelho, apressado, sempre chega atrasado?
Não atravessei, fiquei esperando o carro passar, o relógio parado, um passo meio dado e o tempo rolou. Atravessei e segui um rumo cheio de gente me julgavam na minha mente e que eu, menstruada, na lua cheia e renascendo, sendo fênix, e fingindo pressa... "será que dá tempo pra voltar?" não dava, já tava atrasada, virei a esquina e fingi calmaria, mas até meus óculos pareciam ter lazers de tanto que por dentro eu queimava, doida pra sair de mim.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Dúvidas, perguntas, questões?

Eu me pergunto se você ainda me amaria se soubesse o que se passa pela minha cabeça,
se soubesse que não é em todas as minhas fantasias que você aparece,
será que ainda me amaria se percebesse que eu não pretendo ser só sua,
que eu desejo o mundo todo, até a lua,
e depois de tê-la, nua,
eu seria minha, pra descobrir outro mundo que me receba
sem restrições ou pedidos de limitações.
Eu me pergunto todo dia, por que você acha que te proporciono alegria,
eu penso que você me idealiza até os defeitos,
será que me amaria se soubesse que eu os rejeito?
Passam uns pensamentos na minha cabeça que eu não entendo,
eu sou sincera e te digo até o que não deveria,
cê rebate e diz 'eu aceito, é seu jeito',
nem sempre é meu jeito, às vezes é só desejo
de te ver correr de mim,
sádica? talvez um pouquin...
Mas eu me pergunto se você me aceitaria com tanto surto de vontade,
desvantagem, remontagem e agressividade,
será que me amaria se soubesse que eu já quis te ferir?
às vezes as ideias me levam ao outro lado do paraíso, naquela
tênue miragem entre o céu e o mar
a ponto de afundar ou flutuar no mesmo lugar,
e eu me pergunto pra onde você foi se fui eu que quebrei a promessa
mesmo sem me lembrar.
Vai ver eu sempre estive por aí, só você não me notou,
já reparou na sua estante?
ou nos botões soltos pela casa, nos borrões da escuridão?
Você já me ouviu suspirar, passar pela janela adentro e te fazer arrepiar,
eu te digo, você nota o que eu te envio,
mas meu eu é difícil captar, nem eu mesma sei onde ela tá.
Mas eu me pergunto todos os dias o que eu gostaria de matar
a saudade de casa ou a espera constante.
Será que você me amaria se soubesse que eu já tentei me suicidar?
Eu me pergunto todos os dias por que eu não consigo me apegar,
por que eu simplesmente não consigo me adequar,
se eu consigo o que eu quero,
por que eu não consigo te convencer que não valho a pena,
que cê tá perdendo tempo e que não precisa me alcançar,
eu to sempre indo e voltando,
cê só precisa me acompanhar.

domingo, 26 de agosto de 2018

Eu me lembro bem do episódio que eu criei:
não era mais tão relutante como eu sou
e te aceitava de bom grado como não faço.
Meu ser estava cansado mas se sentia em casa,
não tinha nada físico, mas era nossa cara,
no entanto, eu não entendia o pedaço
que me equilibrava.
Eu estava deitada, sofrendo como todo dia,
o peso das caminhadas...
você tava ali, no fim da cama, aproximando-se como sempre,
devagar e lentamente
como se não fosse pra assustar ou alimentar meus ódios.
Aí cê decidiu me acariciar,
começou pelos pés, melhor lugar!
Não deixei cê demorar, vai ver as minhas explosões
tomaram o controle da situação,
uma das minhas pernas descansou no seu ombro
pressionando o calcanhar,
sua face foi sorrindo sem hesitações,
baixando o olhar.
Suas mãos foram subindo passeando sem pressa,
firmes e gentis encontraram onde ficar.
Seus olhos fixavam os meus,
sua boca passeava e se lambuzava com o sabor da minha fruta,
eu mordia os lábios e sorria de lado,
fechava a pupila pra sentir melhor sua língua,
meus dedos entre os seus cabelos
e os seus que metiam-se em mim sem timidez.
Eu sentia minha respiração aumentar,
minhas pernas tremiam
mas você se mantinha,
minha mão puxou uma última vez seus cabelos
e eu me senti transbordar.
Você sorriu pra mim um último sorriso,
nos encaramos e você desapareceu.
Era só eu, comigo mesma, pensando no dia de te encontrar.

domingo, 19 de agosto de 2018

01:22

Hoje eu pensei em te escrever de novo,
na imensidão de confusões que uma tela em branco
sugere: o início e fim de um sentimento passageiro
que pode ser de pensar n'ocê.
Vem como acalento, nina e sempre parece ter um mistério
mas de alguma forma me repele a ideia de ficar do seu lado
parece que eu vou me entregar e eu tenho medo de não me proteger
eu sinto que não te conheço mas de alguma forma cê sempre ta lá,
não vejo como criar confiança em alguém que eu hesito em deixar ficar.
Até minhas formas cê conhece, mas não é um até de "tudo isso",
é de até ali que eu te deixo me observar,
não tem muito jeito, eu nunca consegui mesmo controlar minhas expressões
pro mundo.
Eu acredito também que se tem resistência, alguma coisa de errada tem,
não é possível que me irrite tão de graça, mas são tantas nebulizações,
tanta névoa nas minhas memórias, minha cabeça excluiu coisas que eu escolhi apagar.
Mas permanece ali uma vontade de que sua vida dê certo,
longe de mim,
mas que me mande um oi de vez em quando
não me adéquo em ser deixada pra trás, mas não dá pra não me sentir culpada
as vezes por ser bem tratada e destratar,
eu já tentei parar de ser assim, mas cê sabe, é o fardo de ser sempre mal-interpretada
ou mal interpretar-me no mundo,
nesse que a gente não pertence mas tenta se encaixar,
um dia, se pá, eu já vou ter sumido daqui,
a gente vai se encontrar e eu vou tá preparada pra me perder.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Mal me quer, bem me quer

Nem sei o que me ocorre, eu faço isso tudo e me acho uma criança.
Depois de todos os elogios eu tenho essa mania de fazer um drama,
tentar mudar sua cabeça ou talvez a trama.

Nem sei porquê corro, esses dias tava pensando nisso,
Mas parece que to sempre pedindo socorro.
Eu queria não ser assim, porque não to me aguentando dentro de mim,
parece que meu corpo é um frasco e minha essência não se conforma com o que é real.
Eu acredito, por mais que desacredite e/ou duvide, que isso ai que cê me diz não é só palpite.

Sonhei com você essa noite, você tava feliz em me ver, eu também,
até todos os seus amigos aparecerem, liguei logo pra minha mãe
e ela me levou pra passear de carro sobre um rio.

Vai entender, eu só consigo pensar em você sozinho, comigo.
Os outros olhares me assustam, me julgam,
me pressionam mais pro-fundo de mim que já sou.

Mas eu sou burra mesmo, deixo passar pra ver se não era só ilusão,
vai entender essa desconfiança toda,
Mas te conto, me disseram uma vez que era  
Porque meu signo é escorpião.

Eu peço desculpa como se não a quisesse de verdade,
te acho tão forte que não tomo cuidado ao pisar em você,
Convenhamos, eu faço isso, como instinto de defesa, mas eu faço.
Tudo o que eu queria era cortar esse laço,
parece que sou uma pecadora por negar esse fato:

Alguma coisa tem, na minha cabeça você me engana o tempo todo, na sua, porém,
Eu te nego o tempo todo mesmo querendo te chamar de meu bem.

sábado, 16 de junho de 2018

Carta #2

A parte ruim de te amar é que eu penso que a morte pode sempre te escolher
e eu tenho medo de não ter dito as palavras certas, ou
demonstrado o sentimento certo.
Eu to sempre esperando sua visita aqui em casa,
acho que é pra vc que eu sempre deixo arrumada,
pra vc já chegar falando que sente orgulho de mim.
Aí voce me fala que não vai mais poder vir,
eu fico monossilábica mas é pra vc n perceber
que tudo dentro de mim desaba.
Eu torço todos os dias pra que você não me veja
desse jeito que os outros veem,
desse jeito que quero parecer.
Quero que você tenha visualizado bem em mim,
reparado meus detalhes.
Eu sempre tento não tornar isso triste,
mais uma carta de despedida
sem lhe servir a existência,
mas eu sou assim, eu esperava que você soubesse,
esse mar (absoluto) de melancolia
(mas te digo que já me amaram por isso)
que eu sou, que sirvo e faz de mim ser vivo
mesmo que com desejos contraditórios.
Temi começar assim, falar a parte ruim, mas parece que o otimismo
só aparece depois de estarmos de acordo com a realidade.
Essa bosta de realidade, que não serve pra nada além de dar soco na cara
e falar "cê é um ótimo saco de pancada"...
Desculpa, não sou de pensar positivo por muito tempo.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Seduções

Eu tenho uma relação estranha com a noite,
quando ela não chega eu fico ansiosa
pra que esse véu que a noite traz me cubra de fantasias,
e não gosto, mesmo assim, desse momento perpétuo
que eu repito todos os dias, pra fugir dessa outra normalidade.
E às vezes, pra me manter, eu procuro atalhos no meu coração
pra saber o que eu to sentindo,
escutar à mim e te escutar ao mesmo tempo não me cabe,
vai ver pq me acostumei me sentindo aquilo tudo, todo o quarto.
E à noite meus suspiros ecoam e são silenciosos,
cada um mantendo distância do mundo,
me fazendo flutuar, sair do corpo e sei lá,
tentar me despertar:
sair da cama, passear em outro lugar
físico.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Espelho #2

Eu queria o abraço de alguém que não percorresse meu corpo com as mãos desejando-o nu,
só um abraço sincero e carinhoso, sem pretensão, sem tesão.
Tá difícil é ser amada sem pretensão.
Eu tô cansada de manter isso aqui guardado,
não faz bem pra mim, nem pra ninguém
esperar afeição de onde não tem relação.
Eu quero alguém que me percorra como eu me conheço,
daí vem o problema, só eu sei onde eu quero e quando quero.
Daí sai a resolução:
eu mesma me toco, de corpo, alma e coração.
Tô vendo agora, eu só to sentindo falta de um sentimento no meio disso tudo,
eu quero sentir, não só aquilo ali.
Alguém que não julgue o meu olhar fixo,
ou desconte nele a razão de sua insegurança.
Vai ver eu tenho que me encarar, pra ver quem pisca primeiro
ou quem sorri, de graça, sem motivo,
é só um sorriso...
eu ou o espelho.
(risos)
de novo.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Vida só-cial

Esse negócio de ficar muito sozinha às vezes me preocupa,
não me sinto mal, mas pelo ser humano ser social,
eu me pergunto se essa mania de me distanciar é prejudicial.
Não é nada pessoal, eu só me sinto mais confortável
quando não tem ninguém por perto, quando sou só eu
e ninguém pra adentrar minha mente,
fazer comentários de descaso ou incitar minha antipatia pela vida...
Só eu vejo minhas nuances, minhas escolhas e o que eu abro mão.
Não há nada melhor do que um sorriso de solitude,
que pensamentos íntimos e secretos compartilhado com o brilho nos olhos.
Me deixa assim, eu não consigo,
nem devo,
ser de outro jeito.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

1º a correr

Eu to preocupada, mas dessa vez não é comigo,
eu to pensando é sobre a inconstância das pessoas,
no gatilho que todo mundo tem e se acionado nos fecha do resto.
Eu to preocupada é com esse desdém simulado,
não é possível que tudo tenha se tornado recado,
que as ideias noturnas tenham se apagado.
Eu lamento, mais do que nunca, não poder contar com você,
porque na real eu contava, mas eu sei que tá errado também, só agora fui perceber.
Quem sabe lidar com isso, me ajuda?
Meus sentimentos são os mesmos, mas meus pensamentos vagueiam pelo caminho do desprezo,
do esquecimento,
penso em aceitar sua sugestão pra sair da ilusão que tinha
e um pouco da decepção.
Mas dá nada não, eu sei que tudo é assim passageiro,
só não me chame de novo pra fazer parte do coro
e sair correndo quando eu chegar.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Tô de mudança

Eu dou bom dia pra confusão do meu futuro;
tenho medo das pontes que fiz desabarem
e não consigo me encaixar em uma só morada.
Não sei se foram as mudanças das escolas ou das casas,
mas tem algo em mim que não consegue ficar parada,
não sei se é a quantidade de água no meu mapa ou apenas o natural.
Mas meus pensamentos são tão passageiros que eu os sinto inteiros,
viajo do início ao fim e, às vezes, assusta até a mim...
O problema não é a turbulência das ideias cruzadas... o problema da tempestade seria se ela não passasse,
o rolê é ela ser intensa e sem cessar não se renova, mantem-se na ideia de nunca parar, nunca estagnar, sempre mudar.
Vai ver é por isso que eu não gosto de água parada.
Mas já parou pra pensar que sem parar cê não chega em nenhum lugar?!
Se cê não sabe onde cê tá, como faz pra reconhecer seu lugar?
Eu pergunto pra algumas amigas "comé que cê tá?" pra não deixar elas caírem sozinhas nessa situação,
eu penso em falar com alguém disso tudo que eu to sentindo,
rolo o chat do celular mas quem eu acho, não quero mais chatear,
rolo mais um pouco e penso:
real... preciso me encontrar.
Todo ano eu me procuro, mas tô sempre mudando de casa...

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lista de desejos

Eu queria que o meu "vai ficar tudo bem" não fosse tão oco,
que não fosse banhado pelas lágrimas do dia anterior e
que eu não tivesse o dom de transformar o bom em mau agouro.
Se minha falta de esperança não me impedisse,
eu me esforçava pra mudar essa minha ideia,
por exemplo:
Eu queria não ter a ambição de querer a humanidade em extinção.
Aceitei que eu não presto, só to vivendo na fase de negação...
Já dividi o meu choro de hoje por saudade de um passado e medo do futuro,
to me mantendo presa aqui e nem sei porquê,
minha vontade é correr daqui de onde eu já to colhendo os fruto.
Mas é porque aqui já me sugou uma existência, tomou de mim os sentimentos mais puros,
de olhos expressivos e conversas telepáticas passamos à frigidez e erro de comunicação,
nosso laço foi cortado muito de supetão, e o pior
ele era minha única razão.
Eu já cansei de dizer pro Diabo se mostrar presente,
eu perdi meu motivo, tá sendo difícil,
queria que tudo apagasse, que nada tivesse existido,
tem tanta angústia em estar vivo que eu nem sei porque resisto.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Desamparo

Meu coração não aperta, ele ainda tá desesperado procurando a parte que falta,
inconformado com a realidade, com os fatos, com os outros possíveis desfechos.
Meu coração tá enterrado, mas ele também tá cheio de um amor guardado pro momento certo,
dado aos poucos, na medida em que eu podia ver quem eu amava.
Eu tento parar as lágrimas que parecem constantes e firmes,
e fico nessa repetição.
Cê é tão eu quanto eu sou você,
cê vive tanto quanto eu, que to morta como você,
eu me pergunto todos os dias "por que agora?"
E pensar que eu tinha planejado todo um final de semana pra você no mato,
eu não queria muito além de você do meu lado, minha amizade mais complementar.
Eu sinto uma falta sua que dá nem pra imaginar,
te vejo em todo canto e espero até poder sonhar.
Você sou eu, na sua, calado, mas no meu colo sempre esbanjando amor,
eu sou você, de miado expressivo, olhar distraído e manhoso.
Me desculpa você, queria que estivesse ao meu lado...
eu já disse isso, mas é o que resume o meu desamparo.
Daria minha vida pra ver você feliz na sua,
não é qualquer coisa quando outro ser confia em você,
é tanto sentimento puro que conhece sua alma nua.
Eu sinto sua falta mais do que nunca,
eu imagino sempre o que você adoraria fazer e posso sentir até o que te assusta...ria,
lembro da sua textura que nenhum outro gato tem,
e eu to demorando pra carai a jogar fora aquele tapete que cê mijou na minha frente...
Mesmo fedendo, ele me lembra você, então o carinho reside.
Depois eu fui entender, um cachorro de rua tinha dormido ali.
Quando eu abro os olhos sinto a falta dos seus, sonolentos e você caminhando pra mim,
ronronava pertin do meu rosto e encostava o fucinho em mim.
Que saudade de você, agradeço por termos só lembranças boas juntos,
eu queria dizer dizer que vai passar mas na real eu só acho que vai amenizar,
sua personalidade era verdadeiramente complementar, tão inteligente...
Obrigada, gatinho, por ter me amado por tanto tempo.
e no meu pensamento só habita você, que eu sempre quis o melhor, tentei dar o meu também,
peço perdão se não foi o suficiente,
espero que sinta o meu carinho mesmo estando tão longe do meu peito.


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Medo da vida

Acho que eu demorei muito pra perceber que o que eu tenho mesmo é medo de viver.
Tô sempre fugindo, mudando, re-adaptando, fico na dúvida se o medo é mesmo esse
ou se isso que eu acho um problema se enraíza em algum outro dilema...
Tenho medo de ficar sozinha na vida mas não no dia a dia, eu sei,
que contraditório esse negócio.
Às vezes eu acho que até quem anda comigo me odeia. Eu ainda não entendi,
por isso eu não saio do meu casulo,
quando eu saio, não me agrado. O que sai de mim não é sempre o que eu gostaria ou,
principalmente, como eu gostaria.
Esse medo da minha incapacidade de mudança me corrói,
cê já pensou no que te incomoda em si mesmo e mudou esse jeito?
Eu penso todo dia, toda hora, antes de dar bom dia e depois, na despedida.
Cê remói toda palavra mal-dita, mal interpretada, mal explicada, mal colocada?
Eu sim.
Eu tenho medo de viver como eu sou, porque eu sei que não sou doce
(e que não preciso ser)
mas os olhares das pessoas são penetrantes e eu tenho propensões à criação de teorias,
mais conhecidas como paranoias ou, para os íntimos, nóias.
Não me acho coitada, ao contrário...
Eu tento ter cuidado, mas lidar com pessoas é como pisar em ovos.
Todos sabemos que não temos que agradar ninguém,
mas se a gente não agrada de si mesmo
é o que nos impede de ir além.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Velha infância

Diferente de muitas coisas na minha vida, eu espero que você não suma.
Esperei passar a infância pra te pedir um beijo
pra que você não pensasse que ficaria só alí o meu desejo.
Eu penso nesse aperto no peito e na saudade que me inunda,
seus olhos marejados e o abraço apertado de quem não queria me soltar
e a minha falta de resistência em te admirar como num aquário,
só que no mar.
Cê perguntou se me irritava se cê me imitasse
eu disse não e o pior que foi verdade,
mas é que eu não queria um espelho, não queria que me representasse
já que eu sempre gostei tanto do seu personagem.
Me senti incomodada só com meu jeito nômade e você, eu vi,
ficou triste com a minha sugestão de ser seu "amor de verão"
veja bem, não foi minha intenção, eu só não quero que pare a sua vida
pra esperar logo a mim, que rejeito tanto a minha...
Eu sei que cê nem sabe que eu faço isso, que eu me escondo entre seus sorrisos
e cê mudou minha ideia toda errada e nem sabe o mérito que tem nisso tudo,
não sabe como é vítima do mundo,
esse mesmo que eu digo que tá destruído e cê diz pra me apegar no bonito.
Eu só espero que eu tenha feito pr'ocê o bem que ocê me fez,
porque eu volto logo, mesmo cê achando que não e rindo de mim
só pra me irritar com um "nada não"
e sugerir que eu te bata com vara ao invés de usar um 'tom bravo'
mas eu sei que cê gosta, mesmo quando é sem querer
porque cê vira pra mim e diz 'te amo, sério, cê n acredita em mim'
mas eu acredito tanto que me admira pensar o mesmo.
Eu sei que cê não vai ler, não deve ter nem interesse
mas fazer o que?!
essa é a minha melhor forma de te reviver.