Get me outta here!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Reflexão

Eu fico no muro do seu ser
observando a janela da sua morada:
marrom toda a sua mobília e confusa a disposição dos móveis
dentro de ti.
Vejo em seus olhos.
Sua boca, a porta da sua casa, não se abre por completa
e tento me esgueirar pela janela.
A cortina, no entanto, está bem disposta:
Evita a claridade e turva a visão do ambiente interno.
Torna-se confuso até pra mim, que jurava conhecer esses mistérios...
A janela sempre entreaberta,
a porta sempre fechada
e o ar de dentro não circula...
se acumula...
Se acumula sozinha a própria poeira do telhado não coberto...
Poeira insignificante,
detalhes que não são propriamente importantes causam alergia
e sensação de abandono.
É necessário abrir a porta, deixar circular o ar.
Daí outra vez eu tento olhar através das cortinas e
vejo um brilho prateado...
Olhando mais fundo, deve dar pra ver...
Ah é, é só o espelho.

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