Get me outta here!

domingo, 14 de maio de 2017

Cotidiano

Não corre de mim
porque eu não tenho vontade de te perseguir.
O que eu queria mesmo era a sua companhia,
nem mais, nem menos do que isso.
Mas a gente exige um grau de intimidade
pra dividir qualquer alegria
ou até mesmo criar fantasias...
Passo a maior parte do dia
tentando me explicar pra quem eu
quero na minha vida...
Que nem sempre o meu 'oi'
é um convite pra comprar bebida, e
que eu só quero uma conversa tranquila
sobre qualquer coisa que a gente tenha dificuldade
em exteriorizar.
Não corre de mim...
porque não tem motivo,
mas se pensa que em todo meu riso
tem algo implícito,
tá errado não.
Só que se eu te conto isso
não sei se cê vai se esconder
ou me levar pra um hospício.
Mas não corre de mim...
se eu tô insistindo
é porque tô pedindo auxílio.
Não costumo invadir,
muito menos impedir
que alguém mude de caminho...
Mas todo dia eu repenso
como me explicar
e todo fim do dia eu só digo:
"desisto".

terça-feira, 9 de maio de 2017

Piedade


Eu to tão sobrecarregada com aflições alheias,
tão confusa em mim mesma,
tão insegura das coisas
e... que bad, ein?!
não tô conseguindo me aliviar...
meus olhos só se mostram cansados,
suplicando quietude,
desejando que todos os sorrisos e elogios
sejam apenas guardados com carinho bobo
de quem recebeu, gostou e agradeceu.

Que o abraço acolhedor
não seja uma carga pra arrastar,
que seja compartilhada
(e aliviada)
as angústias e lamentos da alma
que vocês adoram me expor.
Eu me disponho a isso,
eu sei.

Mas não abusa de mim
que essa falta de empatia me para,
interrompe minha vida e
irrompe minhas lágrimas sem motivo próprio.
Desculpa, mas eu não quero chorar por você,
de dores já bastam as minhas.
Se cuido de ti é porque quero te ver bem a longo prazo,
Se apoia em mim, mas não me afunda.
E toma cuidado...

Não me desgasta que eu não fui feita pra descarte.
Piedade.

domingo, 7 de maio de 2017

Nostalgia

Ah, se ele soubesse como me instiga
a sentir o meu caos natural.
Se soubesse que a sua companhia inibe
a confusão que sou sozinha.
E se soubesse que o silêncio
me é âncora,
que sua presença estabiliza o mar turbulento
que estou…
Não pede retorno do que dá à minha correnteza,
só fica descobrindo de mim
o sorriso que tanto repeti
em frente ao espelho.
Esse é seu pagamento:
me enxerga por dentro
e não me vê como um iceberg qualquer,
nem mesmo meu olhar
lhe esconde meu desamparo.
Se lhe sou mistério...
é de fácil entendimento,
e, por vezes, esses momentos
são encontros de universos incoerentes,
conscientes de si mesmos
que suscitam a ironia
de sentir empatia
mesmo sem saber nada.