Get me outta here!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Outrar-se

Quem tem a existência como falta
vê que em todo o processo de busca
torna-se um sujeito fragmentado.
Um sujeito que sentiu a experiência do ser no terreno da insatisfação.
Tal sensação /ou percepção/ de ausência de horizonte,
é partida em estilhaços pela idealização
que a realidade (crua e sórdida) insiste
em compartilhar por descontentamento de princípios de ser
Único.
Ter somente a visão de realidade
Exterior,
Acreditar no físico sem questionar o real
Exterior
como Ser,
que não é só isso. É o que
encorpora o de fora e
mostra a carga dentro de si.
Somos um espaço secreto
No qual a chave se encontra nos sonhos
(circunstâncias que escapam do ser como estalos,
variantes de um exercício de ser outro)
Estes que sem se dar conta dos elementos de existência,
de (in)consciente
(funcionam a partir da constatação da falha
de não poder aproveitar e usufruir da vida,
obedecem a uma maneira própria de esconder
de si mesmo, de seu próprio mal)
Dão-se o nome de
Aedo, Bardo, Poetisa, Pseudônimo, heterônimo
Poesia.

sábado, 6 de agosto de 2016

Marasmo

Se esse meu desejo de te externar de mim
fosse efetivamente feito,
a cada suspiro cansado,
a cada lágrima estancada pelo orgulho...
eu, com certeza, já teria superado.
A boa parte é que sua atenção já não me seduz,
aquele medo de perder-te
acabou se perdendo no emaranhado de significado de seus atos,
no seu desespero de ter-me sua.
E eu acho que não tem amor na sua parte,
e era só a ideia de posse que te mantinha ao meu lado;
o suporte que te oferecia de tão bom grado.
O que resta em mim é revolta,
desejo de socar tua cara e, claro,
um pouco de decepção
comigo mesma.
O que em mim faz referência à ti
é só a parte que quer te excluir.
Mas fica com a memória desse carinho,
porque eu duvido que o que te proporcionei
alguém vai superar.
A parte ruim é que não consigo me livrar desses sentimentos,
só de pensar em ti meu sangue ferve
e isso me deixa tão triste porque o que você merece mesmo de mim
é a indiferença.
Foda-se se você tem a consciência
de que foi escroto,
isso não faz desvio de culpa.
Pena que sempre chego à essa conclusão:
o quanto eu puder te fazer mal,
não duvida,
eu faço até o final.