Get me outta here!

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Não tenho cartão de entrada

Às vezes eu penso ser tão profunda,
me enganando a cada passo em direção ao abismo que tem em mim,
e às vezes sou só isso aqui,
aquele mar raso, que cê caminha até o meio
e a água não passa do joelho.
Eu não sei onde tá o fim,
nem quando a água começa a ser relevante pra alguém,
até porque eu nunca gostei muito de ser chamada de "meu bem",
mas as vezes acho que to errada,
e essa poça que eu acredito esbanjar
oceano
é só mais uma etapa pra entrar no mar.
Depois de um tempo boiando percebi que não sou levada a nenhum lugar
se eu não botar os pés no chão e caminhar,
e nem é tanto esforço assim cuidar de mim...
Às vezes eu acho que deveria conhecer as pessoas melhor
e talvez deixar com que elas me conheçam também,
acalmar as ondas que quebram na chegada
e ser mais fluida, aconchegando até o ardor dos olhos.
Nunca disse que era doce,
mas sempre parece que sou mais amarga...
Não sei se pela dificuldade de entrada
ou pela resistência de manter-se na caminhada,
são tantos que desistem.
Não tô lamentando, tô só observando que talvez seja eu a errada.
Já percebeu?
Sou mal educada e não importa sua cara,
todas minhas frases parecem profanadas,
às vezes a sinceridade dá uma facada,
e eu fico triste, né?!
Às vezes tenho tanto medo de mim que não deixo qualquer pessoa fazer um carin...
vai ver nasci assim.
E aquela pocinha antes do mar, que tem tanta concha, tanta estrela e vidas pequenas,
é sempre a que cês procuram quando precisam se enfeitar,
pegam umas conchas, jogam umas algas sobre os ombros,
levam um pedaço dali, não ligam pros escombros...
saibam que esse é meu cartão de visita:
se o horizonte é muito longe e a vista não alcança,
melhor ficar no raso, no lugar de criança.

Dia 1

Era algum sonho mal esquecido que eu custava a manter na cabeça, no sentido de deixá-lo lá e insistentemente consultar a realidade sobre suas características, seu sentido e... qual mensagem ele queria me dar? Tava no gramado, tão noiada quanto um coelho atrasado roendo a cenoura, olha todo tempo seu relógio, correndo à toa e nunca sabendo onde tá.
Eu olhei a hora: 15h21, "risos" pensei, levantei, caindo num túnel que me doía os olhos. Parei de olhar pro céu. Fui atravessar a rua pensando "não olha não" e pensei: 15h22. Outra vez "tá na hora, atravessa" outra vez "agora não".Como o coelho, apressado, sempre chega atrasado?
Não atravessei, fiquei esperando o carro passar, o relógio parado, um passo meio dado e o tempo rolou. Atravessei e segui um rumo cheio de gente me julgavam na minha mente e que eu, menstruada, na lua cheia e renascendo, sendo fênix, e fingindo pressa... "será que dá tempo pra voltar?" não dava, já tava atrasada, virei a esquina e fingi calmaria, mas até meus óculos pareciam ter lazers de tanto que por dentro eu queimava, doida pra sair de mim.