Get me outta here!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Ponto final

Foi um amigo meu que disse
que o brilho dos meus olhos tinham mudado
que agora só via amor, que eu tinha me apaixonado.
A gente já sabia por quem e eu tinha certeza
que esse sentimento eu não tive por outro alguém,
E até ele já tinha visto e elogiado.
Eu já tava preocupada,
porque sei que assim, apaixonada,
eu não sou ninguém,
Pode doer até a alma.
E eu o perguntei se ele me aguentava
“Sim, é fácil te aguentar”
Então eu abri a barragem, inundei o que ele chama de lar
pichei meu nome no seu pensamento,
mas nem sei se funcionou,
porque de um dia pro outro
o álcool deve ter limpado
porque até beijo de outras pessoas ele compartilhou
ou talvez eu deveria ter deixado ele escrever,
talvez eu tenha me precipitado.
Eu vi aquilo de camarote
e olha, meu brilho não apagou,
só pareceu meio fosco visto atrás da fumaça.
Passei dias acordada, sentindo raiva de mim
por ter confiado assim, tão rápido…
Eu tinha dito uma vez que era melhor não descuidar
porque eu me conheço e não sei lidar
depois de me entregar e receber de volta
cartões postais da alma que visitei.
Mas sei o que sinto, me deixa quietinha,
chorei rios
pra poder voltar pro meu oceano…
Mas ele não era mais o mesmo, estava tão revoltado,
tão desestabilizado, todo pier que existia
eu tinha quebrado…
Minha vontade não era terra firme e
mesmo que não da forma que queria
encontrei as tsunamis.
Nem sabia mais pra onde ia
sem ele
porque o único cais que apareceu no horizonte
foi o dele.
Meio despedaçado, usado, rasurado…
precisando de cuidados,
e eu,
passeando por aqueles lados, gostei do desenho,
mentalizei a reforma e pus as mãos a obra.
Hoje o machucado que tá em mim se esforça pra ser curado,
mas sente que nem todo o amor que ele exala
é bem retribuído,
ele tem medo de ser aberto com adaga ou com memória
que eu bem guardo de toda minha história.
Eu queria esquecer,
mas sei que o ideal é superar…
Eu prefiro ser mal-dita
do que desistir de amar.

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