Get me outta here!

domingo, 11 de setembro de 2016

Tudo e mais nada.

A água salgada que escorre de teu rosto
é teu ser verdadeiro,
É onde te enxergo por inteiro.
Teu sorriso é só o brilho que compartilho,
Mas não é só disso que quero participar.
Quero conhecer tua alma,
saber dos seus medos extra-animais,
quero que veja em mim um diário,
porque se quiser...
Eu serei.
Tudo e nunca nada,
tudo além do teu corpo
até a alma.
Detenho-me aqui
pra não ser acusada de ladra,
talvez possessiva dissimulada,
egocêntrica desa(l)mada,
escorpiana tresloucada...
Quando tudo que tenho é alma,
tal que quer-te mais que encarnada,
quando nada que tenho é vontade de ser nada...
Quando o que reside em mim é amor e mais nada.

Era do Rio

Deságua em mim
como Rio que és.
Apesar das suas pedras
segue o caminho e vem pra mim...
Com a força que tem teu encontro
com elas,
Vem pra mim,
que a calmaria da minha superfície
te sossega.
Se mescla em mim,
Se desmancha em mim,
Se converte em mim,
Que a correnteza que arrasta
pro fundo,
é a mesma que te joga na praia.
Se molha em mim,
Se faz de mim,
Se flui em mim
E vai, segue teu caminho
e me encontra do outro lado.
Não se assusta com a água gelada
porque no fundo que mora a água queimada,
a machucada, mas que é a resistente,
a que faz pra mim base.
Mas vem, só desaba, só deságua
como Rio que és.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Abissal

Eu queria ser raio de sol,
mas sou peixe.
E sem pudor
Abisso-te.
Levo-te pro-fundo do teu ser,
atiço-te com meu sorriso
e afogo-te em meu suor.

Perca-me entre seus dedos
E ache-me em seus olhos.
Pensa-me (s)em fronteiras,
Ouça as ondas e
encontre-me em seu ritmo,

Mas não perca-se comigo
se não for si esquecer
Pois não há nada pior
do que um ser...
só por ser.

domingo, 4 de setembro de 2016

Em-si-namento

Existem idealizações do passado tão banais, umas lembranças tão incógnitas dos nossos sonhos que no final não são apenas sonhos, mas mistérios programados por nós mesmos pra decifrarmos quando estivermos acordados.
E meu sonho foi esse:

Hoje eu tinha me estranhado
de um jeito que eu achei que não ia acontecer,
mas é aquela coisa, né?!
A gente pode se surpreender.
Queria até me desculpar
Por um ato tão passional
Mas eu acho que você já sabe que eu não fiz por mal.
É que aquela mágoa me corrói
E é difícil ela me largar.
Desculpa por aqui?
... Porque eu não consigo te chamar.
E então eu dormi, e entre dormir e sonhar,
eu conversava comigo mais jovem (ou em outra vida, afinal ainda sou jovem) e a Outra eu (como vamos me chamar) estava um tanto desequilibrada, chorava desesperada com uma arma na mão. Uma arma preta com balas douradas, no entanto, não sabia usar.
Eu me mantinha a minha frente, sentada, tranquila sendo ameaçada por mim mesma...
Uma hora eu cansei e disse
"Atira"
e a Outra eu só conseguia chorar.
Eu peguei a arma, ajeitei só pra puxar o gatilho e entreguei, praticamente, minha vida...
Repeti
"Atira"
e a Outra eu, chorando desesperadamente jogou a arma no chão e eu logo me abracei...
Houve um perdão.
Mesmo sabendo que eu não me mataria, não sabia bem o porquê de querer me matar...
mas não duvidaria de mim.

Tenha como quiser... um distúrbio, uma ilusão,
mas o que acontece /na realidade/ é que você se joga em si
e tudo que sabe é que não conhece aquele espaço,
mas se você tiver uma luz diante dos seus olhos
você atrai peixes menores
mas também pode atrair a atenção de maiores,
daí é só ter cuidado pra morrer feliz.