Estranho olhar meu reflexo e pensar
que eu não valho a pena,
que é pequeno o meu oceano
e me deixa turbulenta pensar
que cuidei tão bem de um simples
barquinho de papel
com tanto carinho mas que em nada me contribuiu.
E mesmo eu não sendo cruel
(pelo sentimento que me habita e infelizmente não se limita
e expande, expande...)
A pureza desse contato se tornou falha, mentirosa...
me deixou pensando se não era ela a
ilusória.
Acordei numa tempestade submarina
e me vi perdida em um cardume que nem vi chegar,
vi uns pedaços que eu tentava colar,
e que na realidade,
nem me pertenciam.
Vai saber porque...
Só decidi me des-envolver.
Eu sei que minhas conchas possuem o meu melhor desenho,
não saem com água e não é papel:
fraco demais pra aguentar a correnteza que força,
com certa malícia,
visitar corais;
maleável demais pra ter força própria
portanto fica sempre à deriva,
na superfície de tudo
sendo sugado e regurgitado
para que alguma coisa dele alguém salve.
Mas no final é assim que vive:
colado por compaixão das marés,
saindo ileso mas deixando a sujeira
de suas particularidades por alí.
E eu não entendo como depois disso
eu possa me sentir
inabitável.
sábado, 1 de abril de 2017
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