Era algum sonho mal esquecido que eu custava a manter na cabeça, no sentido de deixá-lo lá e insistentemente consultar a realidade sobre suas características, seu sentido e... qual mensagem ele queria me dar? Tava no gramado, tão noiada quanto um coelho atrasado roendo a cenoura, olha todo tempo seu relógio, correndo à toa e nunca sabendo onde tá.
Eu olhei a hora: 15h21, "risos" pensei, levantei, caindo num túnel que me doía os olhos. Parei de olhar pro céu. Fui atravessar a rua pensando "não olha não" e pensei: 15h22. Outra vez "tá na hora, atravessa" outra vez "agora não".Como o coelho, apressado, sempre chega atrasado?
Não atravessei, fiquei esperando o carro passar, o relógio parado, um passo meio dado e o tempo rolou. Atravessei e segui um rumo cheio de gente me julgavam na minha mente e que eu, menstruada, na lua cheia e renascendo, sendo fênix, e fingindo pressa... "será que dá tempo pra voltar?" não dava, já tava atrasada, virei a esquina e fingi calmaria, mas até meus óculos pareciam ter lazers de tanto que por dentro eu queimava, doida pra sair de mim.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
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