Get me outta here!

sábado, 16 de junho de 2018

Carta #2

A parte ruim de te amar é que eu penso que a morte pode sempre te escolher
e eu tenho medo de não ter dito as palavras certas, ou
demonstrado o sentimento certo.
Eu to sempre esperando sua visita aqui em casa,
acho que é pra vc que eu sempre deixo arrumada,
pra vc já chegar falando que sente orgulho de mim.
Aí voce me fala que não vai mais poder vir,
eu fico monossilábica mas é pra vc n perceber
que tudo dentro de mim desaba.
Eu torço todos os dias pra que você não me veja
desse jeito que os outros veem,
desse jeito que quero parecer.
Quero que você tenha visualizado bem em mim,
reparado meus detalhes.
Eu sempre tento não tornar isso triste,
mais uma carta de despedida
sem lhe servir a existência,
mas eu sou assim, eu esperava que você soubesse,
esse mar (absoluto) de melancolia
(mas te digo que já me amaram por isso)
que eu sou, que sirvo e faz de mim ser vivo
mesmo que com desejos contraditórios.
Temi começar assim, falar a parte ruim, mas parece que o otimismo
só aparece depois de estarmos de acordo com a realidade.
Essa bosta de realidade, que não serve pra nada além de dar soco na cara
e falar "cê é um ótimo saco de pancada"...
Desculpa, não sou de pensar positivo por muito tempo.

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