Até ela parece já ter desistido da humanidade. Seus olhos nem fitam mais as mãos que fazem estalos sobre a sua cabeça ou as que lhe toca.
Sua calda balança tristemente mas seus olhos permanecem fitando o chão sem a esperança de ser realmente amparada. Vê-se sua testa franzida e o brilho apagado de seus olhos implorando o calor fiel de outros.
Já aprendeu a ser sozinha, a ser enxotada com aperto no coração dos que o fazem... Só porque não sabem o que fazer, a casa não cabe, é só apartamento... O lugar ocupado por outro: um bichinho menor, mais independente...
E quem, no mundo, é independente?
Já se acostumou a se alimentar da dó da outra espécie, a ser "amada" de longe, a sentir calor só quando o sol aparece, a brincar de ser feliz por 5 segundos enquanto alguém lhe acaricia a barriga pra ver a patinha mexer.
Entretenimento gratuito domesticado pelo e para o ser humano...
Mas agora é tão comum que o que fazemos é só escrever nosso aperto no peito, já que o aperto de onde moramos, mal cabe um peixe.
Estamos sempre ocupados e amontoados um acima do outro... favela organizada por blocos e quintal compartilhado com carros.
sábado, 17 de dezembro de 2016
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