Talvez a mentira
(a que nos contamos e não aos outros)
seja o primeiro passo pra uma verdade
(mesmo que em sua primitividade superficial).
Quando nos dizemos o que (não) sentimos
criamos em nós a possibilidade de o tornar real.
Se a comida não nos agradou mas foi feita com amor
nos esforçamos para comer e dar uma resposta positiva.
Sentimos coisas e nos negamos a aceitar
seja por insegurança ou desconfiança,
mas sempre tá ali
alguma coisa que não é esperança.
A gente não se cansa de atualizar
pra ver se pelo menos um 'oi' alguém vai mandar,
numa vontade enorme de ter um amigo pra contar,
mas uma insegurança (?) enorme pra desabafar.
Desculpem as rimas pobres,
é que a imaginação não tá boa,
só rende preocupação e ,às vezes,
uma neurose à toa.
A gente implora por uma amizade,
luta por confiança,
mas acha tudo em vão
já que a pessoa não sabe como você tá
só de olhar.
A gente não fala, é tão mais fácil demonstrar!
Falar requer muita força
e eu mal tenho pra me maquiar...
Dizer que o bem vem de dentro e basta se amar...
Mas a cada palavra me desfalo,
entro em paradoxos
me enrolo e já disfarço.
E no final
minha conclusão se esvai,
como toda minha verdade inventada,
e eu já vi que mentir pra si mesmo...
Realmente não leva a nada.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
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