Get me outta here!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Mêlo do papel

Toda vez que ela se distrai o cenário muda, parece que quer fugir mesmo não estando insatisfeita, já que todos os seus risos se insinuam quando ela percebe que foi ali mas não saiu do lugar, a mente vagueia pelo que seria ideal, parece tudo tão irreal, vai ver é disso que ela gosta, de se sentir surreal, no desconhecido e apesar de tudo o medo não a distrai, ele pode estar ali, mas esta aturdido pela curiosidade de estar em um lugar qualquer
E eu que moro dentro dela não entendo como ela funciona, o que a mantém e o que a retém, as vezes as duas coisas são as mesmas, mas as vezes ela precisa de uma válvula de escape, parece que corre de mim, me engana e quando percebo ela se refez tem uma semana, e eu demoro pra acompanhar, mas to sempre ali, ela olha pro lado assustada, mas sou só eu que ela vê, eu a sigo e ela se esquece que eu existo, apressa o passo, acha que alguém a segue, não olha pra trás
Sonha com isso mas deixa pra la, vai ver tem consciência de que eu to aqui mas não consegue se acostumar. Sempre tentando estar a par de tudo, controlar seu mundo, se sente mal por não conseguir realizar coisas além do seu alcance, como se tudo seguisse seu script mental... você tem que respirar, pensar que não é sua culpa se tudo começar a ruir, você já da o seu melhor, começa a achar que isso é o suficiente porque é, a vida não é seu roteiro, você também é figurante na vida de alguém... mas ela ta sempre a espreita, por mais que tente ela não fica desatenta. A mente trabalha, maquina poesia e bruxaria, enfeitiça e se desfaz, parece que estar no mesmo lugar sempre corroi... mas corroi né, tem que movimentar, arejar, limpar... so que eu tenho medo dela se livrar de mim, eu tento orientar da melhor forma possivel, porque nem eu sei onde pisar se tratando de mim... ela vai la no fundo e volta, passeia, não deixa marcas, ela observa e reconstroi, o que ta faltando? ela sempre me pergunta, ficar satisfeita, eu respondo. Ela revira os olhos como se eu inferisse que ela não da valor ao que tem, ela sabe... eu sei... e acabamos algumas semanas do mesmo jeito: onde foi que eu errei? A gente pensa demais, doi a mente, fica cansado o corpo, depois ela arruma um jeito de ser feliz de novo, se refazendo nas proprias vidas, desejando um ciclo novo.

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